Com 41 anos, Davi Alcolumbre vence a presidência do Senado

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2019 19h00 - Atualizado em 02/02/2019 20h19
Estadão Conteúdo Representante do baixo clero, Alcolumbre tem 41 anos e é comerciário com formação incompleta em Ciências Econômicas. Ele disputou a presidência do Senado com o aval de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil de Bolsonaro

Davi Alcolumbre (DEM-AP) venceu a eleição para a presidência do Senado, derrotando o então favorito, Renan Calheiros (MDB-AL). O amapaense obteve 42 votos no pleito fechado que aconteceu na tarde deste sábado (2). É a primeira vez que o democrata assume o comando da Casa.

Representante do baixo clero, Alcolumbre tem 41 anos e é comerciário com formação incompleta em Ciências Econômicas. Ele disputou a presidência do Senado com o aval de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Em seu discurso antes da votação, o democrata disse representar o “novo na política”.

Alcolumbre foi eleito senador em 2015, mas entrou para a política em 2001, como vereador. Em seguida, venceu três eleições para deputado federal, sempre pelo Amapá. Na eleição de 2018, ele chegou a disputar o governo do estado, perdendo o cargo para Waldez Góes (PDT).

A sessão que conduziu Alcolumbre à presidência começou começou na tarde desta sexta (1), com intensos debates entre os parlamentares sobre a abertura ou não dos votos. A oposição a Renan, liderada pelo democrata, conseguiu 50 votos para que a eleição deixasse de ser sigilosa. Foram apenas dois contra. O grupo do emedebista combinou de não participar da votação para não legitimá-la.

Na manhã deste sábado, no entanto, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, decidiu atender ao pedido formulado pelo Solidariedade e pelo MDB e reverteu a decisão. Apesar de mantido o sigilo, alguns senadores revelaram seus votos enquanto iam à urna.

Seis senadores disputaram o comando do Senado: Ângelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Fernando Collor (Pros-AL), Esperidião Amin (PP-SC), Renan Calheiros (MDB-AL) e Reguffe (sem partido-DF).  Simone Tebet (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e Major Olímpio (PSL) retiraram suas candidaturas em apoio a Alcolumbre.

Durante a contagem dos votos, o pleito chegou a ser interrompido por haver uma cédula a mais na urna. Com a polêmica, os membros dos partidos encarregados de fazer a vigilância da votação decidiram anular o processo, sob protestos de parte dos parlamentares.

Reiniciada a eleição, Renan Calheiros tomou a palavra para anunciar sua desistência ao cargo. “Ontem, a maioria teve de judicializar a decisão do Senado. É a primeira vez que isso acontece numa Casa legislativa. Agora, estamos repetindo uma votação que foi anulada, porque um senador colocou uma cédula dentro de outra cédula”, afirmou o senador.  Maria do Carmo (DEM-SE), Eduardo Braga (MDB-AM) e Jader Barbalho (MDB-PA) retiraram seus votos em apoio ao emedebista.

A vitória de Alcolumbre foi anunciada por volta das 19h, com 8 votos para Ângelo Coronel, 3 para Fernando Collor, 13 para Esperidião Amin e 6 para Reguffe. Mesmo com a candidatura retirada, Renan Calheiros ainda obteve 5 votos. O mandato tem duração de dois anos.