David Miranda: ‘Mostrarei a renda da minha família. Quero ver se a família Bolsonaro fará o mesmo’

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2019 12h46
Cleia Viana/Câmara dos DeputadosDeputado disse que movimentação foi de R$ 1,3 milhão, e não R$ 2,5 milhões, e que é "compatível" com sua renda familiar

O deputado federal David Miranda (PSOL-SP) rebateu, nesta sexta-feira (13), a acusação, apontada por um relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), de que ele teria movimentado R$ 2,5 milhões de forma “atípica” em sua conta bancária no período de um ano. Em um vídeo gravado ao Programa Pânico, ele disse que vai provar sua renda familiar, e desafiou a família do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a fazer o mesmo.

Ele relembrou a suspensão das investigações do Coaf, determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, a pedido da defesa do filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que também é investigado. “Estou disposto e vou ao juiz demonstrar todos os meus extratos, e também queria deixar aqui, em aberto, se a família Bolsonaro não faria o mesmo. Michelle, Flávio, Carlos e, óbvio, o [Flávio] Queiroz. Bolsonaro tenta impedir, de todas as formas possíveis… O Coaf nem existe mais agora porque ele não quer que o Flávio seja investigado, mas vamos em frente e eu vou demonstrar pra todo mundo que essa é nossa renda familiar, mas quero ver se família Bolsonaro fará o mesmo”, questionou.

Miranda voltou a dizer, ainda, que a investigação contra ele é uma forma de “retaliação” às publicações de seu marido, o jornalista Glenn Greenwald, de mensagens vazadas sobre a Operação Lava Jato. “Esse processo começou dois dias depois que o Glenn e o Intercept começaram a fazer o processo da Lava Jato. Estou de peito aberto, não tenho medo de nenhum de vocês tentarem utilizar o aparato do Estado pra intimidar as publicações da Lava Jato. Isso vi continuar e nos vamos continuar firmes e forte, e sem medo dessa retaliação que vocês querem fazer contra eu, contra minha família.”

O parlamentar também afirmou que a movimentação em sua conta não foi de R$ 2,5 milhões, mas sim de R$ 1,3 milhão, “uma renda compatível com a minha família”. “O Glenn tem quatro livros renomados na NY Times Best Sellers List, dos quais a gente produz filmes, dá discursos, e ele trabalha pro The Intercept, que é uma ONG. Qualquer jornalista que queria saber quanto eu ganho, pode ver lá, está muito claro. A gente usa minha conta aqui no Brasil pra poder pagar nossas despesas, exatamente isso que aconteceu nessa situação”, finalizou.