Debate sobre reformas não deve ser ideologizado, diz Maia

  • Por Jovem Pan
  • 17/01/2018 13h50
Marcelo Camargo/Agência BrasilQuestionado se seria candidato à Presidência, Maia ironizou, mas deixou a porta aberta. "Hoje eu tenho 1% na pesquisa. no dia em que eu tiver 7% as coisas melhoram muito".

Nos Estados Unidos, em palestra e coletiva no instituto Wilson Center, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a defender a necessidade de reformas estruturais no Brasil. Maia também fez duras críticas aos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Maia reconheceu que há uma “dificuldade” em votar a reforma da Previdência em ano eleitoral, mas disse que pretende “mostrar à sociedade que há distorções graves”. O presidente da Câmara ainda acredita é possível convencer deputados para se obterem os 308 votos necessários para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional.

“Quando a sociedade compreender isso (que há ‘distorções graves’ na Previdência), cada dia que passa teremos mais condições de convencimento dos nossos parlamentares”, disse. Ele ponderou, no entanto, que a discussão sobre uma agenda de reformas “não se encerra na reforma da Previdência”.

Embora seja a questão “mais polêmica e com mais rejeição”, Maia entende que a reforma da Previdência “necessariamente vai ter papel importante no processo eleitoral de 2018”.

O presidente da Câmara falou aos americanos que deseja “criar condições necessárias e segurança jurídica para investir no Brasil”.

Elogiando o “centro” do espectro político, Maia disse que questões fiscais deveriam ser tratadas como “questões de Estado” e que o debate sobre o ajuste das contas públicas não pode ser “ideologizado”.

“Nem um debate anterior que, na minha opinião, não deveria estar ideologizado porque na ponta (não fazer as reformas) prejudica o trabalhador mais simples, que não condições de pagar uma escola, um plano de saúde”, afirmou.

Maia também disse que “o dinheiro acabou e a grave crise fiscal nos obriga a viver com responsabilidade”.

Desonerações

Questionado sobre o Sistema S, de desonerações do governo federal, Maia afirmou que “todos os incentivos precisam ser revistos”, mesmo que seja mantido depois “um ou outro benefício”.

O presidente da Câmara disse que “o Sistema S tem muitos pontos positivos, mas muitos recursos que não são focados no social”.

Críticas ao PT

Maia fez críticas ao programa Minha Casa Minha Vida, o qual chamou de “projeto social mal feito, importante, mas que deveria vir em conjunto a outras políticas”.

O deputado carioca disse que o programa permite às pessoas realizarem o sonho da casa própria, mas não que elas consigam pagar um condomínio ou uma conta de luz.

“Criar um programa para escravizar as pessoas não é um bom programa”, disse também o presidente da Câmara, respondendo a pergunta sobre Lula, sem deixar claro se se referia ao Bolsa Família ou ao MCMV.

Maia criticou a política econômica da ex-presidente Dilma Rousseff e o “discurso fácil do presidente Lula quando escolheu Dilma”.

Eleições

Questionado se seria candidato à Presidência, Maia ironizou, mas deixou a porta aberta. “Hoje eu tenho 1% na pesquisa. no dia em que eu tiver 7% as coisas melhoram muito”.

Para ele, é possível ser eleito defendendo a agenda de reformas do governo de Michel Temer sem se associar à péssima imagem do atual presidente.

“O presidente Temer tem uma rejeição alta hoje, mas o governo tem muitos avanços”, disse. Seria um candidato “competitivo”, para Maia, “não necessariamente ser candidato do presidente, mas ser o candidato desse ambiente de reformas”.

Ele criticou, porém: “até pela prioridade da agenda econômica, tem muitos pontos na área social que ficaram pendentes nesse governo”. O candidato do democrata é alguém que se comprometa com a “responsabilidade fiscal” e que avance em propostas sociais.

Lula

Questionado sobre eventual condenação de Lula que pode tornar o petista inelegível, Maia afirmou: “eu quero que o lula dispute a eleição, acho que para o Brasil é bom. Acho que ele vai perder”.

Mas ressalvou: “para mim, politicamente, o ideal é que lula dispute. Mas quem decide é a Justiça”.

“Infelizmente parte da política ainda acha que vai conseguir ser protegida por seu poder, sua influência”, destacou Maia, em crítica à frase da presidente do PT Gleisi Hoffmann, que previu confusão nas ruas caso a condenação de Lula seja mantida.

Para o presidente da Câmara, “está todo mundo exposto, ainda bem”.

Maia se encontra agora à tarde com o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Paul Ryan.