Decisão de suspender Venezuela do Mercosul “é precedente perigoso”, afirma Dilma

  • Por Agência Estado
  • 03/12/2016 16h14
Brasília - Presidente afastada Dilma Rousseff, faz sua defesa durante sessão de julgamento do impeachment no Senado(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Dilma rousseff - AGBR

A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou neste sábado (03) uma nota na qual critica a decisão de suspender os direitos da Venezuela como sócia no Mercosul. Segundo a petista, a medida, anunciada pelos governo do Brasil, Argentina e Paraguai, é um “um ato e precedente perigoso e irresponsável pois compromete a convivência entre as nações da América do Sul”. 

“Só faz política externa com porrete e ameaças um país imperial. Nação democrática tampouco desrespeita a soberania de um país-irmão”, reclamou.

Para Dilma, a suspensão é um recurso extremo e inadequado. No entanto, destacou, “não se pode esperar muito do governo ilegítimo que usurpou o meu mandato por meio de um golpe parlamentar travestido de impeachment”. “A medida mostra a pequenez do governo do Brasil diante das exigências da América Latina”, afirmou Dilma.

Leia a íntegra

NOTA À IMPRENSA 

A decisão de suspender a Venezuela do Mercosul, anunciada pelos governos do Brasil, Argentina e Paraguai, é um ato e precedente perigoso e irresponsável pois compromete a convivência entre as nações da América do Sul. 

Só faz política externa com porrete e ameaças um país imperial. Nação democrática tampouco desrespeita a soberania de um país-irmão.

A justificativa para a retaliação é inconsequente porque dos 41 acordos dos quais é exigida a adesão da Venezuela, o próprio Brasil não ratificou pelo menos cinco deles. Outros países do Mercosul também não adotaram algumas dessas normativas.

A suspensão é um recurso extremo e inadequado. No entanto, não se pode esperar muito do governo ilegítimo que usurpou o meu mandato por meio de um golpe parlamentar travestido de impeachment. 

A medida mostra a pequenez do governo do Brasil diante das exigências da América Latina.