Decreto prorroga uso das Forças Armadas em Roraima

  • Por Jovem Pan
  • 12/09/2018 07h48
EFE/GERALDO MAIAPelos dados da Polícia Federal, mais de 127 mil imigrantes já atravessaram a fronteira venezuelana com destino ao Brasil

O Diário Oficial da União traz nesta quarta-feira (12) a publicação do Decreto 9.501, que prorroga o período de ação das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Roraima.

O decreto anterior expirava nesta quarta-feira. Agora, a GLO em Roraima foi prorrogada até 30 de outubro, dois dias depois do segundo turno das eleições. As Forças Armadas atuarão também na proteção das instalações e das atividades relacionadas ao acolhimento de refugiados – problema grave por que passa a região, com a chegada desenfreada de venezuelanos impulsionada pela crise do país comandado por Nicolas Maduro.

O aumento de tensão entre brasileiros e venezuelanos que culminou na última quinta-feira, 6, quando um venezuelano e um brasileiro morreram, fez com que o decreto fosse publicado.

O venezuelano foi assassinado a pedradas e pauladas depois de matar um brasileiro com uma facada. O caso aconteceu após um suposto furto no bairro Jardim Floresta, localizado na vizinhança de um abrigo improvisado na rua, com mais de 300 venezuelanos, em Boa Vista.

O primeiro decreto foi assinado em 29 de agosto, após brasileiros atearem fogo em barracas improvisadas de venezuelanos que dormiam nas calçadas de Pacaraima, que fica na fronteira, e queimarem utensílios e roupas dos imigrantes. O decreto de GLO dá poder de polícia para que as Forças Armadas atuem no Estado de Roraima. Mas as ações de segurança pública continuam sob responsabilidade da governadora do Estado, Suely Campos.

O decreto do governo federal foi assinado por Temer sem a concordância do governo local, que não quer reconhecer que precisa de ajuda na área de segurança pública. Pelos dados da Polícia Federal, mais de 127 mil imigrantes já atravessaram a fronteira venezuelana com destino ao Brasil. Desse total, 60% já deixaram o Brasil em direção a outros países da América Latina, principalmente Colômbia e Argentina.