Defesa de Sarney e Jucá questiona STF sobre gravações

  • Por Estadão Conteúdo
  • 10/06/2016 10h21
Kakay

Na tentativa de enfraquecer os argumentos do Ministério Público Federal que possam embasar um possível pedido de prisão, defensores do ex-presidente José Sarney e do senador Romero Jucá (PMDB-RR) vão questionar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a origem das gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Em petição apresentada, na última quinta-feira (9), ao Supremo pelo advogado dos políticos tem como objetivo central tentar anular as gravações feitas pelo executivo, que realizou delação premiada no âmbito da Lava Jato. “Precisamos saber se esse delator estava infiltrado com autorização ou a pedido de um agente público. Tenho absoluta convicção que o Supremo não autorizaria um delator a gravar o presidente do Senado e um ex-presidente da República no hospital, como foi feito. Pois Partiriamos do pressuposto que isso foi feito sozinho ou sob a orientação de terceiros e, sendo assim, o processo não é só nulo como grave”,pontuou, na peça, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay.

O defensor ressalta que, apesar de ter pedido ao STF, ainda não conseguiu cópia do inquérito em que consta a delação feita por Machado e a íntegra dos áudios. O vazamento de trecho das gravações foi responsável pela queda de dois ministros do governo interino de Michel Temer e, dentre eles, o próprio Jucá, que ocupou o comando do Planejamento por apenas 12 dias, pouco depois, Fabiano Silveira deixou a pasta da Transparência, Fiscalização e Controle, precisamente em 30 de maio último.

Nos diálogos captados pelo empresário, Jucá fala em pacto para deter as investigações. Já Silveira discute estratégias de defesa de investigados da Lava Jato.

Relação

O advogado de defesa de Sarney e Jucá considera também que há uma relação no modus operandi feito pelo ex-presidente da Petrobras e pelo filho de Cérvero, Bernardo, que gravou conversas com o senador cassado Delcidio Amaral (sem partido-MS).

Os áudios registrados por Bernardo culminaram na prisão do político, em novembro do ano passado. Na ocasião, os defensores do parlamentar também recorreram ao STF para tentar anular as gravações.

“Não estou fazendo nenhuma acusação porque primeiro eu quero ter cópia para que eu possa fazer a minha análise… Mas, no caso do Delcídio, temos conhecimento de que ele foi gravado sendo que existia um procurador por trás. O próprio Cerveró disse, está nos jornais, que a gravação do Delcídio foi sugestão de um procurador”, considerou Kakay.

O jurista considera ainda como “seletivo” o vazamento do pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra seus clientes e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Para ele, a iniciativa tem como objetivo fazer com que a opinião pública pressione o STF, “é uma maneira que se tem de fazer uma pressão no Poder Judiciário. Mas não acho que isso vai influenciar o ministro Teori Zavascki”. 

O mesmo tipo de reação ocorreu por parte de integrantes da cúpula do Congresso e até ministros do Supremo. Entre aqueles que se insurgiram está o ministro Gilmar Mendes, que classificou o vazamento como uma “brincadeira com o Supremo”.