Delator diz à PF que Eunício Oliveira era próximo de empresário detido em ação que prendeu Temer

  • Por Jovem Pan
  • 24/03/2019 11h55
Agência SenadoEunício deixou cargo de senador após não ter conseguido reeleição

Em depoimento à Polícia Federal, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o executivo José Antunes Sobrinho – ligado à Engevix – declarou que o empresário Rodrigo Neves, preso na operação que também capturou o ex-presidente Michel Temer (MDB), se apresentava como pessoa próxima ao ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE).

Relatório da PF anexado à investigação da Operação Descontaminação, deflagrada na quinta-feira (21) contra propinas nas obras da usina de Angra 3, apontou que o empresário foi sócio do ex-senador em duas empresas. A desembargadora Simone Schreiber, plantonista do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, acolheu no sábado (23) o habeas corpus impetrado pela defesa de Rodrigo Castro Alves Neves e mandou soltá-lo.

A Operação Lava Jato afirma que Neves foi responsável por intermediar o pagamento de vantagem indevida exigida pelo coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo João Batista Lima Filho, o coronel Lima, a José Antunes Sobrinho. De acordo com a investigação, foram transferidos R$ 1 milhão da empresa Alumi para a empresa PDA Arquitetura e Engenharia, controlada pelo coronel – amigo de Temer.

Durante o contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3, afirmam os procuradores, o coronel Lima pediu a Antunes Sobrinho o pagamento de propina, supostamente em benefício de Michel Temer. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,091 milhão da empresa Alumi Publicidades para PDA.

O depoimento de Sobrinho foi prestado em junho de 2018 ao delegado da Cleyber Malta Lopes. O delator declarou que conheceu Neves em 2013 e acreditava que ele era sócio da Alumi. Segundo o empresário, Neves teria se aproximado dele demonstrando interesse em parceria comercial com a Inframérica, consórcio vencedor e responsável pela concessão e reforma do Aeroporto de Brasília da qual ele era presidente na época.

“O depoente nunca se encontrou com nenhum outro representante ou sócio da Alumi; que Neves se apresentava também como pessoa próxima do senador Eunício Oliveira, sendo que Neves dizia que estava disposto a colaborar com negócios do Aeroporto de Brasília, sendo ele quem levou a melhor proposta para exploração da mídia externa do aeroporto de Brasília, no caso em questão, da empresa Alumi”, declarou Antunes Sobrinho.

A PF apontou no relatório que, em 2014, a Alumi, por intermédio de Rodrigo Neves, conseguiu contratar com a Inframérica contrato privado no valor de R$ 24 milhões para explorar serviço de publicidade e mídia externa do Aeroporto de Brasília por um período de 6 anos. José Antunes Sobrinho relatou que por conta desse contrato teria solicitado que Rodrigo Neves quitasse compromisso de cerca de R$ 1 milhão com o coronel Lima.

“Esclareceu sobre a situação para Neves, tendo falado para ele que se tratava de quitação de um compromisso assumido pelo depoente para auxiliar o MDB e o vice-presidente Temer; o qual estava sendo cobrado reiteradamente por Lima”, contou.

No relatório, a PF anotou que chamou atenção o fato de Neves ter sido sócio, com Eunicio, em pelo menos duas empresas. Na avaliação dos investigadores, isto corroboraria o depoimento de Sobrinho no que tange à influência política de Ricardo Neves.

“Outro fato que chamou atenção é a respeito de Neves, responsável por intermediar o contrato de R$ 24 milhões entre a Alumi e a Inframérica para explorar serviço de publicidade e mídia externa do aeroporto por 6 anos. Neves já foi sócio do atual senador Eunício de Oliveira em pelo menos duas empresas, podendo corroborar com o depoimento de Sobrinho no que tange à influência política de Ricardo Neves”, apontou a PF.

*Com informações do Estadão Conteúdo