Delatora da Lava-Jato é presa em operação da PF contra tráfico internacional de cocaína

Ação visa atingir conexão de traficantes que leva a droga do Brasil até Portugal

  • Por Jovem Pan
  • 19/04/2022 16h39
Divulgação / Polícia Federal Agentes da PF revistam um avião em aeroporto Operação da Polícia Federal busca combater tráfico internacional de drogas

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça, 19, uma operação contra uma organização criminosa que atuava no tráfico internacional de cocaína entre o Brasil e Portugal. Segundo a PF, a investigação teve início após um jato executivo ser inspecionado em Salvador em fevereiro de 2021, quando os agentes descobriram 595 quilos da droga escondidos na fuselagem. Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva nos estados da Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Pernambuco; em Portugal, foram três mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva nas cidades do Porto e Braga. Dentre os alvos, está Nelma Kodama, a primeira delatora da Operação Lava-Jato.

Kodama é considerada uma doleira e já havia sido presa anteriormente, em 2014, ao tentar embarcar para Milão no Aeroporto Internacional de Guarulhos com 200 mil euros escondidos na calcinha. Ela foi condenada a 15 anos de prisão, mas teve a pena extinta por um indulto natalino concedido pelo então presidente Michel Temer em 2017. Na época, a acusação era de lavagem de dinheiro, em esquema que ela operaria ao lado do ex-marido, Alberto Youssef, e teria movimentado mais de R$ 10 bilhões. Nelma foi presa em um hotel de luxo em Portugal nesta terça. Adib Abdouni, advogado que representou Kodama nos casos da Lava-Jato, informou que espera que ela chegue ao Brasil para que a defesa possa se posicionar quanto às acusações. “Pelo que está nos autos a prisão preventiva se baseia na necessidade de que os investigados se mantenham em cárcere porque os mesmos viajam frequentemente ao exterior. A princípio não há elementos para manutenção da prisão, podendo ser substituído por medidas diversas da prisão”, afirmou Abdouni.