Deltan deixa Lava Jato para se dedicar à filha, que tem tido sinais de regressão no desenvolvimento

‘Vou priorizar a minha família, mas continuarei lutando como procurador e como cidadão’, disse Dallagnol

  • Por Jovem Pan
  • 01/09/2020 15h09 - Atualizado em 01/09/2020 15h16
ReproduçãoProcurador ficou seis anos à frente da Lava Jato

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 1º, o procurador Deltan Dallagnol esclareceu que deixará a coordenação da força-tarefa da Lava Jato para se dedicar à família, principalmente à sua filha de 1 ano e 10 meses que tem demonstrado sinais de regressão no desenvolvimento. Segundo Dallagnol, há algumas semanas ele e a esposa notaram algumas mudanças que causaram preocupação na criança, como não olhar mais no rosto e nos olhos dos pais, parar de falar palavras que já sabia e deixar de olhar quando é chamada.

“Os médicos levantaram algumas suspeitas e nossa filhinha está passando por uma série de exames e acompanhamentos para chegar a um diagnóstico, que ainda vai demorar 9 semanas. Contudo, recebemos a recomendação de diversos especialistas para implementar uma série de terapias e tratamentos que vão exigir uma dedicação intensa nossa como pais, e isso não pode esperar. Nessa idade o cérebro é muito versátil e uma intervenção precoce pode fazer toda a diferença”, contou o procurador, alertando as pessoas que tem bebês na família a ficarem atentas a sinais de mudanças.

Dallagnol afirmou que continuará executando as tarefas de procurador, mas que vai deixar a Lava Jato para “focar na família”. “É uma decisão difícil, mas é a certa e a que eu tenho que tomar como pai”, disse. Quem assume o posto deixado por ele é o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira. “Alessandro, com reconhecida experiência no combate ao crime organizado, é membro com maior antiguidade na Procuradoria da República do Paraná a manifestar interesse e disponibilidade para coordenar os trabalhos no ofício a que vinculado o caso. Com a troca, Deltan, que solicitou um período de 15 dias para auxiliar na transição, deve assumir o ofício de Alessandro”, destacou o Ministério Público Federal em nota nesta manhã. Deltan também elogiou Alessandro: “um procurador competente, que vai integrar uma equipe de 14 procuradores que sempre tomaram e continuarão tomando decisões conjuntamente, e de 30 servidores públicos que atuam na Lava Jato em Curitiba”, disse.

Segundo Dallagnol, a “operação vai continuar firme” e ele seguirá “lutando contra a corrupção” como procurador e como cidadão. “Foi uma imensa honra fazer parte desse time maravilhoso que serviu tanto à sociedade. Isso não é uma despedida e não vou deixar de sonhar com um país menos corrupto e mais justo. Vou priorizar a minha família, mas continuarei lutando como procurador e como cidadão”, finalizou. Ele ficou seis anos à frente da Lava Jato.

Assista ao vídeo:

CNMP e processos

Ainda no final de agosto, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivou a denúncia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o procurador da República Deltan Dallagnol e outros integrantes da Lava Jato sobre a apresentação de powerpoint que apontava o petista como líder de uma organização criminosa. Oito dos 10 conselheiros votaram pelo arquivamento da medida diante da prescrição dos fatos, apesar de reconhecerem que havia indícios para que o procurador fosse alvo de ação disciplinar.

Deltan deixa a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba pouco após o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender outros dois processos que seriam julgados e que poderiam tirar Deltan da Lava Jato em Curitiba. Os casos miram a conduta do procurador em relação à publicação nas redes sociais e supostas atitudes de promoção pessoal.