Deltan Dallagnol diz que excesso de foro privilegiado prejudica investigações

  • Por Jovem Pan
  • 15/09/2015 16h22

O procurador Delton Martinazzo Dallagnol durante entrevista coletiva em hotel de CuritibaProcurador Delton Martinazzo Dallagnol detalha funcionamento da corrupção na Petrobras

O coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, disse que excesso de foro privilegiado prejudica investigações de casos de corrupção. O procurador da República considerou o benefício uma desigualdade, por criar um tribunal especial para julgar quem possui determinada função pública.

Segundo ele, no país, existem cerca de 22 mil servidores com esta prerrogativa. Deltan Dallagnol ressaltou que somente a alta cúpula do poder deveria ter o foro privilegiado.

“Quem deve ter foro são cerca de 10 a 20 pessoas que estão na cúpula dos poderes e isso segue o modo como funciona em diversos outros países democráticos”, disse.

O procurador também criticou o projeto que prevê a doação oculta privada de campanha, aprovada na Câmara na semana passada. Para ele, a proposta só seria justificável se ela tivesse um objetivo específico que não fica claro.

“A ideia de doação oculta ela imediatamente contraria a ideia da publicidade que rege a administração pública e que rege o estado brasileiro. Se for previsto algo oculto ou sigiloso isso deve ter uma especial justificativa de interesse público que, preliminarmente, eu não vejo”, explicou.

Deltan Dallagnol participou em São Paulo do lançamento da campanha “10 medidas contra a corrupção”.