Demissão de Joaquim Levy é recebida com críticas no mercado financeiro

O então presidente do BNDES pediu demissão no domingo (16), depois de Bolsonaro dizer que sua cabeça ‘estava a prêmio’

  • Por Jovem Pan
  • 17/06/2019 09h01
Agência ReutersJoaquim Levy, agora ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

A forma como o presidente Jair Bolsonaro conduziu a demissão de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi recebida com críticas por nomes do mercado financeiro. Eles temem mais reflexos negativos na visão do investidor estrangeiro sobre o Brasil.

Uma fonte chama atenção para o impacto que a postura de Bolsonaro pode gerar não só no andamento da agenda de recuperação da economia brasileira mas, principalmente, na visão dos estrangeiros em relação ao país. Ela chega a comparar Bolsonaro com a ex-presidente Dilma Rousseff, bastante criticada no mercado financeiro por sua “postura impulsiva” em determinadas ocasiões.

A avaliação é de que o presidente aparentemente “não está nem aí para o ânimo dos investidores estrangeiros com o Brasil”. E a conclusão é que episódios como este “dificultam um ambiente de estabilidade no mercado”.

O presidente de uma gestora internacional de recursos afirmou que, a despeito de o investidor internacional ser pragmático e gostar da atual equipe econômica, não tem uma imagem tão positiva em relação ao governo Bolsonaro. Ele considera que falta postura ao presidente e reclama da recorrência de episódios desgastantes.

“Agora tem o presidente do BNDES. Antes, foi o presidente dos Correios. Teve também o Santos Cruz. Se a crise Moro crescer… aí começa a ficar complexo”, avaliou.

Apesar da postura de Bolsonaro, analisa o executivo de um grande banco, o mercado segue otimista com a reforma da Previdência.

Pedido de demissão

Joaquim Levy pediu demissão do BNDES neste domingo (16), depois de Bolsonaro dizer que “sua cabeça estava a prêmio”. Não é de hoje que o governo e a equipe econômica estão insatisfeitos com o desempenho do BNDES na agenda de redução do tamanho dos bancos públicos. Especificamente do lado de Bolsonaro, ainda havia críticas sobre a necessidade de o presidente do BNDES “abrir a caixa preta” de empréstimos feitos durante o governo do PT.

Uma fonte lembra que Levy já foi uma escolha feita pelas mãos do ministro da Economia, Paulo Guedes. Seu nome, que foi ministro da Fazenda no governo Dilma Rousseff, teve dificuldade de passar pelo “escrutínio” da “direita”. O estopim foi a indicação de Marcos Pinto Barbosa, ex-sócio de Armínio Fraga no Gávea Investimentos, para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do banco de fomento. Conforme a avaliação, “tirando a forma”, a saída de Levy “já estava precificada”. Pinto Barbosa se antecipou e pediu demissão no sábado.

*Com informações do Estadão Conteúdo