Denúncia contra Dilma confirma e-mails e ligações da petista para obstruir a Justiça

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2017 12h59 - Atualizado em 22/09/2017 13h09
Plenário do Senado durante sessão deliberativa extraordinária para votar a Denúncia 1/2016, que trata do julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff por suposto crime de responsabilidade. Em pronunciamento, presidente afastada Dilma Rousseff . Foto: Geraldo Magela/Agência Senado Geraldo Magela/Agência Senado Presidente nega ter usado e-mails para avisar casal de publicitários sobre ações da PF

Trechos da denúncia em que a ex-presidente Dilma Rousseff foi acusada de obstrução da Justiça apontam que as investigações “confirmaram diversos telefonemas trocados entre Mônica Moura e terminais cadastrados em nome da Presidência”.

Dilma foi denunciada no último dia 6 por obstrução de Justiça por supostamente avisar Mônica Moura e seu marido, João Santana, ex-marqueteiro do PT, sobre operação da Polícia Federal que tinha o casal como alvo.

A existência de três e-mails atribuídos a Dilma em que ela teria mandado mensagens cifradas sobre a iminente prisão do casal também foi confirmada. Mônica já havia registrado em cartório uma das mensagens em maio de 2016, menos de três meses após ter sido detida, em 23 de fevereiro do ano passado.

Reprodução/PGR

E-mail atribuído a Dilma Rousseff que Mônica Moura registrou em cartório (Reprodução/PGR)

A confirmação da investigação foi divulgada pelo Jornal O Globo, que reproduziu trecho da denúncia, que estava em sigilo, nesta sexta-feira (22).

Reprodução/O Globo

Trecho da denúncia em que Janot acusa Dilma de obstrução de Justiça

Dilma teria escrito em uma das mensagens no e-mail: ““O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois dia e noite”.

Em uma mensagem de dezembro, segundo delação da esposa do marqueteiro, o “amigo” seria João Santana, a “esposa”, a própria Mônica, e o “risco” seria o de ações da

O ex-procurador-geral Rodrigo Jaqnot disse na denúncia que “os dados telemáticos obtidos (…) confirmaram a existência dos e-mails em questão, inclusive daquele em que o rascunho transcrito acima, o qual já havia sido apresentado por meio de ata notarial (…), foi laborado”.

Segundo Mônica, ela e Dilma se comunicavam por textos salvos nos rascunhos dos e-mails cujas senhas eram compartilhadas. Depois, o rascunho era apagado.

Uma das contas, de “Iolanda”, tem o nome de uma telefonista da Presidência da República, que negou seu uso.

Janot escreve também na denúncia: “a obstrução das apurações ocorreu mediante a criação e utilização, pela então Presidente da República, de correios eletrônicos (e-mails) especificamente voltados para o repasse de informações cifradas sobre o andamento de investigações sigilosas relacionadas ao casal de publicitários mencionado, que havia recebido recursos ilícitos para prestação de serviços à campanha presidencial de 2010, o que permitiu aos investigados se precaver de medidas cautelares como buscas e apreensões e prisões”.

Dilma nega

Dilma Rousseff sempre negou o uso dos e-mails e chamava a delação de “fantasiosa”.“Causa ainda mais espanto a versão de que por meio de uma suposta ‘mensagem enigmática’ (estranhamente copiada em um computador pessoal), conforme a fantasia dos delatores, a presidenta tivesse tentado ‘avisá-los’ de uma possível prisão”, escreveu Dilma em nota de maio deste ano, quando as acusações vieram a público.

A ex-presidente mantém a versão.

Outras acusações na denúncia

Além da ex-presidente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi denunciado na peça enviada no início de setembro por supostamente ter sido nomeado ministro-chefe da Casa Civil de Dilma para obter foro privilegiado. Liminar do ministro do STF Gilmar Mendes à época, no entanto, cassou a nomeação.

Aloizio Mercadante, ex-ministro, também é acusado na peça de obstrução de Justiça. Ele foi gravado tentando dar apoio jurídico, político e financeiro a Delcídio do Amaral, o que seria uma tentativa de evitar a delação do ex-senador petista.