Denúncia de falsa assinatura de deputado domina sessão do Conselho de Ética

  • Por Jovem Pan
  • 09/03/2016 13h12
Vinícius Gurgel (PR-AP) alegou que estava de ressaca e citou problemas psiquiátricos para justificar assinatura tão diferente

 Como Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, abriu votação no Plenário, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD/BA), encerrou a sessão desta quarta-feira (9), que analisa o pedido de cassação do próprio Cunha, em mais uma protelação. Em discussão com deputado que era contra o fim da reunião, Araújo disse: “esse Conselho não pode nada”. A próxima sessão está marcada para a próxima terça (15).

A sessão desta quarta foi marcada basicamente por discussões a respeito da denúncia do jornal Folha de S. Paulo contra o deputado Vinícius Gurgel (PR-AP), membro do Conselho e aliado de Cunha. Ele teria falsificado uma assinatura em manobra frustrada de tentar favorecer o presidente da Câmara em 1º de março.

O jornal desta quarta revelou uma suposta manobra utilizada por Cunha e aliados para tentar preservar seu mandato que envolveu inclusive a falsificação da Gurgel. O próprio Gurgel compareceu à reunião e rafirmou a versão dada à Folha de que tinha feito a rubrica sob efeito de álcool que teria ingerido no dia anterior.

“Naquele dia, eu liguei para a liderança do meu partido e pedi para apresentarem uma carta de renúncia que eu já havia feito há algum tempo”, explicou Gurgel. 

“Bebi um pouco. Estava sob efeito de álcool com remédio controlado. Se alguém quiser duvidar, as instituições estão aí para isso. A assinatura é minha. Eu queria que pedissem para a Mesa laudos psicológicos e psiquiátricos; por problemas íntimos, tomo remédio de tarja preta”, disse ainda, elegando problemas psiquiátricos.

Críticas

Antes do pronunciamento de Gurgel, deputados como Chico Alencar (Psol-RJ) cobraram explicações do parlamentar. Marcos Rogério (PDT-RO), relator do pedido de abertura da ação contra Cunha, disse que esse é um caso para a polícia investigar

O deputado Sandro Alex (PPS-PR) sugeriu que o caso seja levado à Procuradoria-Geral da República. Ele pediu ainda que a perícia contratada pelo jornal que comprovou a falsidade da assinatura seja chamada a depor e que a própria Câmara contrate outros especialistas. Ivan Valente (Psol-SP) também defendeu representação no Ministério Público. Júlio Delgado (PSB-MG) classificou a ação de Gurgel como um “delito criminal tipificado no Código Penal”.

Ao fim, outro parlamentar atentou para que aliados de Cunha não usem o fato para tentar cancelar a votação, que deu continuidade ao processo contra o presidente da Câmara.

A manobra e a bebida

O deputado não estaria presente em votação sobre a continuidade ou não da ação contra Cunha, que acabou terminando apertada no placar em 1º de março.

O suplente imediato de Gurgel era um deputado do PT que é contra Cunha. Para evitar um voto a menos, Gurgel apresentou sua renúncia ao Conselho de Ética para que o Partido da República (PR) nomeasse outro parlamentar a favor do peemedebista. A assinatura no documento de renúncia, entretanto, é falsa, conforme apontaram dois laudos grafotécnicos chamados pelo jornal. A falsificação seria “grosseira” e “primária”, de acordo com a publicação.

O deputado alegou que estava de ressaca, por isso tremia quando assinou o documento oficial. Apesar do movimento, o Conselho aprovou por 11 a 10 o prosseguimento da ação contra Cunha.

Denúncias contra Cunha

Eduardo Cunha réu no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de receber milhões em propinas de esquemas na Petrobras, em contas no exterior.

O presidente da Câmara é acusado no Conselho, no entanto, por quebra de decoro ao ter mentido à CPI da Petrobras em 2015 a respeito da existência de contas em seu nome no exterior, como foram encontradas na Suíça ao longo do ano passado pelos investigadores da Lava Jato.

Cunha e seus aliados no Conselho de Ética têm conseguido desde o ano passado postergar a votação da ação contra ele.

Com informações complementares da Agência Câmara

Foto do texto: Agência Brasil