Deputados petistas chamam ministro de “covarde” em comissão

  • Por Jovem Pan
  • 04/10/2017 11h14 - Atualizado em 04/10/2017 11h21
Reprodução/TV CâmaraDeputados Patrus Ananias (de pé, à direita), Pepe Vargas (com a mão à boca) e Bohn Gass, todos do PT do Rio Grande do Sul, foram os mais acintosos nas críticas a Osmar Terra

A saída do ministro do Desenvolvimento Social e Agrário Osmar Terra (PMDB) da Comissão de Seguridade Social e Família, onde discursou por menos de meia hora na manhã desta quarta-feira (4), foi marcada por bate-boca e protestos de deputados do Partido dos Trabalhadores (PT).

A reunião da comissão estava marcada para as 9h, mas começou apenas às 9h35. Pouco depois das 10h, depois de quase 30 minutos da fala em que Terra garantiu que programas sociais teriam recursos da União (veja mais abaixo), ele teve de se retirar para participar de assinaturas de compromissos no Palácio do Planalto. Na agenda oficial de Terra consta presença do ministro às 10h30 em “cerimônia alusiva ao Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa”.

A saída repentina do ministro, sem responder aos questionamentos dos deputados, gerou revolta entre deputados, especialmente de Pepe Vargas (PT-RS), Elvino Bohn Gass (PT-RS), que não é titular da comissão, e Patrus Ananias (PT-RS).

“O ministro é um covarde, que fala e não é capaz de ouvir?”, questionou, dedo em riste, Pepe Vargas.

O ministro Osmar Terra, que já se levantava para ir embora, voltou ao microfone e retrucou: “deputado Pepe Vargas, eu discuto com o sr. em qualquer lugar no Brasil”.

“Ô, Terra! Isso é atitude golpista”, classificou Bohn Gass. “Fique aqui. Ô, Terra! Que é isso, Terra? Pô, Terra! Fugiu, Terra? Barbaridade…”

“Neste momento eu tenho um compromisso e voltarei a semana que vem para discutir”, prometeu Terra.

Patrus Ananias se levantou e acusou: “o sr. está com medo de discutir conosco”.

Osmar Terra rebateu: “O dia em que eu estiver com medo de discutir com vocês eu desisto da política”. E foi embora.

“Isso é uma vergonha o que está acontecendo aqui”, disse ainda o deputado Chico D’angelo (PT-RJ).

Panos quentes

O presidente da comissão Hiran Gonçalves (PP/RR) tentou colocar panos quentes na situação e explicou: “O ministro chegou aqui às 8h30, muito antes da minha chegada. Ele veio aqui para fazer uma exposição, isso aqui é uma audiência pública, e logo que chegou informou que tinha um compromisso às 10h, de assinatura de termos de cooperação”.

“Começamos atrasados, mas poderíamos até ter começado um pouco mais cedo”, lamentou Gonçalves. “Eu me comprometo com todos de que ele voltará aqui para fazer esse debate”, afirmou.

Nas falas seguintes, já sem a presença de Terra, os parlamentares voltaram a atacar o ministro.

Patrus, Bohn Gass e Pepe alegaram que houve um “desrespeito” do ministro à Câmara. “O ministro fala, só atacou o governo anterior, não deu resposta alguma”, disse Pepe, um dos mais alterados, que depois pediu desculpas pela forma como se comportou.

O Padre João (PT-MG), que manteve a calma durante a saída do ministro, se manifestou depois: “se o ministro não tem disponibilidade para ouvir o parlamento, é melhor que ele não se apresente”.

O discurso de Terra – “garantir o básico”

Durante sua fala, Osmar Terra destacou que o governo de Michel Temer está saindo de “recessão dos governos anteriores”. O ministro também explanou a “bagagem” que tem na área social.

“Não vou deixar que conquistas sociais sejam perdidas. Vamos batalhar internamente. Em todo governo há uma disputa pelo orçamento”, disse Terra.

O ministro tentou “tranquilizar” os deputados no sentido de que o governo vai “garantir o básico” para os problemas sociais. Ele citou, no entanto, que “herdamos uma situação muito grave na economia e um corte de recursos”.

Ministro Osmar Terra garante que ninguém sairá do Bolsa Família precisando dele durante fala à Comissão de Seguridade (Reprodução/TV Câmara)

Osmar Terra também citou ações do governo Temer de identificar irregularidades no programa Bolsa Família e cortar os auxílios irregulares. “Quando começamos havia 15 milhões de família, 14 milhões recebendo e um milhão na fila de espera”, citou. “Zeramos a fila de espera”, elogiou.

O ministro também citou o Programa Progredir, recém-lançado pelo governo federal, que busca parceria com empresas para que os beneficiários do Bolsa Família não precisem mais do programa. “Nenhuma pessoa sairá do Bolsa Família precisando dele”, garantiu.

A comissão segue debatendo os assuntos da Casa. Veja, cerca de 30 minutos depois do começo do vídeo, o momento da discussão: