Dilma diz que investigação sobre cachorro Nego quer “achincalhar” sua imagem e honra

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2017 10h32
Agência PTA ex-presidente Dilma Rousseff caminha na península dos Ministros, área nobre de Brasília, com o cachorro Nego

A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou nesta sexta-feira (10) nota de repúdio à abertura de investigação sobre o sacrifício de seu cachorro Nego, após doenças degenerativas congênitas, em setembro do ano passado.

A denúncia de que o animal estaria sofrendo maus-tratos foi feita pelo deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), presidente da Frente em Defesa dos Animais na Câmara. Ele pediu investigações ao então procurador-geral Rodrigo Janot.

Janot enviou o caso para a Justiça Federal, que o repassou à Polícia do Distrito Federal, que deu prosseguimento à apuração do caso e chamou Izar para prestar depoimento nesta semana. O deputado disse que só soube dos supostos maus-tratos ao cão por mensagens que recebeu em redes sociais na época. Segundo disse Izar ao jornal Gazeta do Povo, ele ficou de ajudar na investigação e tentar descobrir o nome do veterinário que fez o diagnóstico das doenças do cão.

O delegado responsável pelo caso, Vitor de Mello Duarte teria dito que Dilma pode ser chamada a depor.

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Dilma, em sua nota, informa que Nego foi um presente do ex-ministro José Dirceu. Ele seria um dos cães “prediletos” da ex-presidente.

“Nego passou a apresentar displasia coxo-femural, doença típica dos labradores, além de mielopatia degenerativa. Ele tinha dificuldade de andar e, por conta da mielopatia, ficava agitado e buscava se movimentar de qualquer jeito. Por isso, sofria muito e deveria ser sacrificado, conforme orientação médica”, explica Dilma na nota.

A petista afirma que “relutou” em aceitar o sacrifício, mas o fez em setembro de 2016. Então, Dilma começa a tentar encontrar supostas razões políticas para a investigação sobre seu cachorro.

“É lamentável que, mais uma vez, queiram usar a relação de carinho e lealdade entre um cachorro e sua dona para reforçar a sórdida campanha acusatória que criou o ambiente para o Golpe de 2016, por meio do fraudulento impeachment sem crime de responsabilidade”, diz a nota.

A ex-presidente fala em uma “campanha hedionda” e acusa Janot de “determinar” a abertura da investigação, embora ela tenha se iniciado em instância inferior à PGR. “Como se investigações mais graves não devessem ser apuradas, como a compra de votos para a aprovação do impeachment”, compara.

“Vale tudo para achincalhar a imagem e a honra de Dilma Rousseff”, afirma a nota. Para Dilma, o deputado Ricardo Izar “busca holofotes” e “se vangloria de ir depor contra a presidenta eleita do país numa história da qual não tem conhecimento nem sequer envolvimento direto”.

Veja a nota completa:

1. Nego nasceu em setembro de 2003 e morreu em setembro de 2016. Foi dado de presente por José Dirceu ainda em 2005 para Dilma Rousseff, quando ela assumiu a chefia da Casa Civil no governo Lula. Nego foi criado e amado pela presidenta e familiares durante os quase 12 anos em que conviveu com ela. Era um cão grande e forte, que gostava de nadar e correr. Era um dos prediletos de Dilma Rousseff.
2. A partir de 2015, Nego passou a apresentar displasia coxo-femural, doença típica dos labradores, além de mielopatia degenerativa. Ele tinha dificuldade de andar e, por conta da mielopatia, ficava agitado e buscava se movimentar de qualquer jeito. Por isso, sofria muito e deveria ser sacrificado, conforme orientação médica.
3. A presidenta relutou e adiou o quanto pode, com a esperança de uma recuperação da saúde do labrador. E isso, infelizmente, não veio a ocorrer. Nego foi sacrificado, para tristeza de Dilma Rousseff em setembro do ano passado. Era um cachorro excepcional, companheiro e inteligente.
4. Diante disso, é lamentável que, mais uma vez, queiram usar a relação de carinho e lealdade entre um cachorro e sua dona para reforçar a sórdida campanha acusatória que criou o ambiente para o Golpe de 2016, por meio do fraudulento impeachment sem crime de responsabilidade.
5. Essa campanha hedionda, baseada em falsidades, violência, intolerância e preconceito se perpetua mesmo agora, um ano após ter sido consumado o golpe parlamentar que retirou Dilma Rousseff do poder.
6. A perseguição chegou a ponto do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot determinar a abertura de um inquérito policial. Como se investigações mais graves não devessem ser apuradas, como a compra de votos para a aprovação do impeachment.
7. É lamentável que isso ocorra no país que virou sinônimo de Estado de Exceção. Aos olhos do mundo, vale tudo para achincalhar a imagem e a honra de Dilma Rousseff.
8. Tudo tem sido feito para satisfazer a sanha doentia de golpistas. Como mostra o deputado Ricardo Izar Júnior (PP-SP), que proferiu sórdidos ataques a Dilma, e se vangloria de ir depor contra a presidenta eleita do país numa história da qual não tem conhecimento nem sequer envolvimento direto. Apenas a busca pelos holofotes abjetos da mídia.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF