Dilma vê tentativa de livrar PMDB

  • Por Estadão Conteúdo
  • 16/06/2016 10h39
BRA13. BRASILIA (BRASIL), 30/05/2014.- La presidenta suspendida de Brasil, Dilma Rousseff, participa hoy, domingo 30 de mayo de 2016, en la presentación de un libro que aborda el proceso de destitución que enfrenta la mandataria, titulado "La Resistencia al Golpe de 2016", en la universidad de Brasilia (Brasil). Rousseff acusó hoy al Gobierno del mandatario interino, Michel Temer, de tratar con superioridad a los países suramericanos mientras que le habla "fino" a Estados Unidos. EFE/Cadu GomesPresidente afastada Dilma Rousseff

Indagada sobre a delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que cita diretamente o presidente em exercício Michel Temer, a presidente afastada Dilma Rousseff disse, nesta quarta-feira (15), que um dos objetivos do processo de impeachment é evitar que a Lava Jato atinja integrantes do governo pertencentes ao PMDB e seus aliados e, entre eles, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de pedido de cassação.

“Há uma tentativa que deu certo quando a solução Temer virou um processo de impeachment para evitar duas coisas, de um lado submeter (ao País) o que você acredita, a sua pauta e, de outro, impedir que o processo de investigação atinja integrantes do governo provisório”, afirmou Dilma, após participar de um evento, em João Pessoa, Paraíba.

A presidente afastada relatou não ter tido acesso ao teor da delação de Machado. Segundo a petista, suas conclusões se baseiam em uma frase do senador Romero Jucá (PMDB-RR) gravadas pelo executivo: “Tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria”. Dilma reiterou que os acontecimentos posteriores ao seu afastamento deixam mais clara a “forte relação” entre Temer e Cunha.

A presidente iniciou, na passada quarta-feira (15), um giro de três dias pelo Nordeste, região onde teve a maioria dos votos nas eleições de 2010 e 2014 e mantém os melhores índices de aprovação. 

Audiência

Acompanhada pelo governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), contrário ao impeachment, a petista participou de uma audiência pública convocada pela Assembleia Legislativa sobre a democracia brasileira, o encontro transformou-se em um ato contra o governo Temer.

Para poder receber um número maior de pessoas, a audiência foi realizada no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, administrado pelo governo paraibano. O local não estava completamente lotado, mas milhares de pessoas, boa parte militantes de movimentos sociais, foram manifestar apoio e ovacionaram a presidente afastada. 

Embora um dos objetivos da caravana pelo Nordeste seja reverter o impeachment no Senado, a chance de mudar o voto dos senadores paraibanos é mínima. Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão (PMDB) e Raimundo Lira (PMDB) são aliados de Temer e favoráveis ao impedimento.

Ambulância

Segundo Dilma e Coutinho, o governo federal se recusou a liberar uma ambulância do SAMU e batedores da Polícia Rodoviária Federal para acompanhar a visita, “este é um direito meu, líquido e certo. Eu tenho direito à segurança. Isso apavora eles. Se a minha segurança for comprometida, a responsabilidade é do presidente da República, sob exercício provisório do Temer. Isso é a mesquinharia do Temer”, acusou.

Segundo a política, o governo interino cortou R$ 17 milhões que haviam sido liberados para o término das obras de um viaduto na capital paraibana. Ela chamou a atitude de “patrimonialista, ao confundir o público com o privado, é a base da visão que leva à corrupção. É achar que o dinheiro público pode ser desviado.”

Em seu discurso, a petista voltou a mostrar simpatia pela ideia de um plebiscito para decidir, entre outras coisas, sobre a possibilidade de convocação de novas eleições. 

Segundo Dilma0, o modelo de governabilidade adotado, desde a Constituição de 1988, baseado no “toma lá, dá cá” se esgotou e o Brasil precisa de um novo pacto político que passe pelo voto popular, “acho que esse toma lá, dá cá já deu o que tinha que dar e não é só por uma questão ética, é, sobretudo, porque o padrão, o modelo se esgotou. Ele não dá conta do Brasil. Tanto que uma parte dos meus ministros mudou literalmente de lado.”

Por fim, a estadista admitiu que não existe consenso sobre o formato e conteúdo do plebiscito e que a iniciativa não cabe ao presidente e sim ao Legislativo, mas defendeu a participação popular na elaboração de uma saída para a crise política. Dilma tem agenda, ainda nesta quinta, em Salvador, e, na próxima sexta (17), no Recife.