Diretor da Vale anuncia doação de R$ 100 mil a famílias de vítimas; equipe do Albert Einstein será contratada

  • Por Jovem Pan
  • 28/01/2019 19h29
Marcelo Prates/Estadão ConteúdoBombeiros ainda tentam encontrar vítimas após rompimento de barragem que devastou cidade mineira

A mineradora Vale vai doar R$ 100 mil imediatamente a cada família de pessoas que morreram ou desapareceram após o rompimento de barragem de rejeitos em Brumadinho (MG), segundo o diretor-executivo de finanças e relações com investidores da empresa, Luciano Siani. Ele também anunciou contratação de psicólogos do Hospital Albert Einstein.

“A Vale vai fazer uma doação de R$ 100 mil reais para cada família que perdeu um ente querido. Isso não tem nada que ver com indenização. [A media serve] Apenas para que incerteza de curto prazo com relação ao sustento dessas famílias seja aliviada. Já temos equipes no local para o cadastramento das famílias e o pagamento imediado”, disse.

De acordo com Siani, a doação deve ser efetivada já nas próximas horas. “Quem estiver com familiares desaparecidos receberá os recursos imediatamente.” A barragem rompeu na sexta-feira (25) e os números mais recentes indicam que há 60 mortos e 292 desaparecidos. No Instituto Médico Legal (IML), 19 corpos já foram identificados.

Atedimento psicológico

O diretor da Vale ainda anunciou nesta tarde a realização de uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein – o mesmo em que o presidente Jair Bolsonaro foi operado -, em São Paulo, para o envio de uma equipe de psicólogos com experiência no atendimento a vítimas de tragédias. O grupo deve se somar aos profissionais que estão na cidade.

“Estamos contratando o Hospital Albert Einstein, uma equipe especializada de psicólogos para dar assistência a vítimas em casos como esse, de catástrofe de grandes proporções. Nosso time de psicólogos, assistentes e pessoas do serviço publico não tem a mesma experiência nesse tipo de tragédias. Essas equipes vão começar a se agregar na região.”

Contenção de rejeitos

A mineradora ainda informou que preparar uma barreira para impedir que rios da região sejam ainda mais contaminados. “A partir de amanhã, a empresa vai começar a construir uma membrana de contenção de rejeitos próximo da cidade de Pará de Minas, a cerda de 40 quilômetros de onde a lama se encontra hoje”, afirmou Siani.

Segundo ele, os rejeitos estão se deslocando em velocidade de 1 quilômetro por hora e devem chegar a Pará de Minas na quarta-feira (30). “Nosso objetivo é que não haja nenhuma ruptura na captação de água do Rio Paraopebas.” O principal rio da região é responsável pelo abastecimento de diversas cidades e é também local de pesca.

Além disso, com a interrupção da operação da Vale na cidade, ele indicou que mineradora vai continuar pagando os chamados royalties da mineração para Brumadinho. “Vamos manter o pagamento compensação financeira por exploração de recursos minerais por tempo indeterminado, para não prejudicar a arrecadação do município.”

De acordo com o executivo, Brumadinho arrecadou R$ 140 milhões no ano passado e, desse total, 60% era oriundo da atividade de mineração. “A Vale vai continuar compensando o município por conta da falta de recursos, já que a produção foi paralisada. Aquilo que for devido, vamos pagar integralmente”, disse a jornalistas.

Rompimento de barragem

A barragem do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu na tarde da última sexta. A onda de rejeitos de minério de ferro atingiu a área administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco, poluindo o Rio Paraopeba – o principal da região. Além de mortos e desaparecidos, 382 pessoas foram localizadas e 191 resgatadas.