Novo diretor do Inpe ficará no cargo até nova indicação, diz Marcos Pontes

Segundo Marcos Pontes, o novo diretor do Inpe será anunciado até esta terça-feira (6), mas será substituído após formação de comitê de busca

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2019 16h55
MARCO MIATELO/ESTADÃO CONTEÚDOMarcos Pontes afirmou que novo diretor do Inpe será anunciado até esta terça-feira (6)

O ministro da Ciência e Tecnologia, Inovação e Comunicação, Marcos Pontes, afirmou que o nome do novo diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) deve ser anunciado até terça-feira (6). Segundo ele, o critério será técnico e, entre os preferidos, está um oficial da Aeronáutica doutor em desmatamento. “Estou procurando nome que tenha conexão com Inpe, que tenha conhecimento nessa área [desmatamento] e em gestão”, disse.

Pontes afirmou que o substituto de Ricardo Galvão deve permanecer no cargo até que seja estabelecido o comitê de busca com três nomes, de onde deve sair o diretor oficial. O regimento interno do Inpe, aprovado pela Portaria n° 897, de 3 de dezembro de 2008, prevê que a escolha do diretor deve ocorrer por meio de uma lista tríplice elaborada por um comitê.

“Esse é o padrão previsto. O que a gente tem que fazer agora é escolher um diretor substituto, [para] que ele permaneça até que seja estabelecido o comitê de busca e depois o comitê de busca vai trazer três nomes, de onde vai sair um diretor que vai ficar ali”, explicou à Rádio Eldorado o ministro.

O ministro declarou que o ex-diretor do Inpe Ricardo Galvão tornou a situação insustentável ao procurar a imprensa para rebater os comentários do presidente Jair Bolsonaro em vez de tentar resolver a situação pelo diálogo.

Pontes reconheceu, porém, que o Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes), levantamento anual que deve ser divulgado entre o fim de agosto e início de setembro, deve mostrar a mesma tendência de aumento do desmatamento dos dados que iniciaram a polêmica no Inpe.

O DETER, sistema de monitoramento do Inpe, apontou aumento de 88% do desmatamento na Amazônia em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior e de 40% nos 12 meses anteriores, dado que deve ter maior aderência com o Prodes

Inexistência de desmatamento e aquecimento global

Em relação às declarações polêmicas de integrantes do governo sobre a inexistência de desmatamento e de aquecimento global, Pontes contemporizou dizendo que procura explicar os dados do ministério para Bolsonaro e outros ministros.

“Mas a questão é que nem todo mundo entende sobre ciência e às vezes interpreta do ponto de vista pessoal”, completando que ele também não entende de economia e que, apesar de ter algum conhecimento de diplomacia, não cursou o Instituto Rio Branco, de formação de diplomatas.

*Com Estadão Conteúdo