Divisão de espaços de eventual governo Temer tem como prioridade PMDB e ‘centrão’

  • Por Estadão Conteúdo
  • 28/04/2016 11h52
Michel Temer

Com o mapa da Esplanada dos Ministérios nas mãos, o vice-presidente Michel Temer tem trabalhado para montar a sua equipe, caso assuma a Presidência, após a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, no Senado. Nas conversas recentes com dirigentes das legendas que dariam apoio a um novo governo, Temer tem dito que pretende manter até 25 ministérios dos atuais 31 do governo Dilma.

Em relação ao PMDB, partido presidido pelo vice, estão certos entre as possibilidades a do atual presidente do partido, o senador Romero Jucá (RR), para assumir o Ministério do Planejamento. Também aparecem na lista os nomes de Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima. O primeiro deve assumir o comando da Casa Civil, que acumularia o papel de antiga Secretaria de Relações Institucionais, responsável pelas articulações com o Congresso e negociações com empresários e movimentos sociais. 

Padilha já assumiu papel semelhante durante o período em que Temer foi convidado por Dilma para assumir a função com os congressistas, em meados de 2015. Na ocasião, cabia ao peemedebista a tarefa de tabular e negociar a distribuição dos cargos federais com integrantes da base aliada.

Em relação a Geddel Vieira Lima, a previsão é de que ele também ocupe uma sala no Palácio do Planalto, ao assumir a Secretaria-Geral do governo. O posto atualmente é ocupado pelo ministro Ricardo Berzoini. Segundo apurações, o nome do ex-ministro Nelson Jobim também tem sido colocado em discussão para assumir o Ministério da Defesa, posto que ele ocupou entre 2007 e 2011. 

Também não está descartada a possibilidade de o ex-ministro de Minas e Energia Eduardo Braga (PMDB-AM) voltar a ter uma cadeira na Esplanada. Braga, que deixou o governo na última quarta-feira, é cotado para assumir o Ministério das Cidades, que vinha sendo ocupado pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, que também desembarcou do governo. 

Fusão

Em contrapartida, o PSD, que integra o chamado “centrão” – composto também por PP e PR -, poderá ficar com o Ministério da Agricultura. Entre os nomes com perfil para assumir o posto está o do deputado Marcos Montes (MG), presidente eleito da Frente Parlamentar da Agropecuária. Na votação do impeachment realizada na Câmara, no último dia 17, a bancada do agronegócio fechou questão a favor do afastamento da presidente.

Em relação aos outros partidos do “centrão”, a possibilidade é de o PP permanecer com o Ministério da Integração Nacional. Nas conversações, eles têm pedido, no entanto, a ampliação dos espaços e também reivindicam o Ministério da Saúde e o comando da Caixa Econômica Federal. 

Em relação ao PR, a demanda é pelo comando do futuro Ministério de Infraestrutura, que surgiria da fusão dos ministérios de Transportes e Portos. Entre os nomes cotados para assumir o posto está o do ex-líder do PR na Câmara Maurício Quintella (AL), contrariando a orientação da direção do partido, ele deixou a liderança da bancada para votar a favor do impeachment.