Documentos do “Panama Papers” mostram políticos brasileiros e familiares com offshore

  • Por Jovem Pan
  • 04/04/2016 11h41
Panama Papers - Divulgação

Os documentos da empresa Mossack Fonseca, sediada no Panamá, e especializada em gestão de capitais e patrimônios, mostram que o escritório vendeu ou criou offshore para políticos brasileiros. Segundo o comentarista da Jovem Pan, Fernando Rodrigues, há ligações com PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB.

Entre os nomes aparecem: deputado federal Newton Cardoso Jr (PMDB-MG) e seu pai, Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais; Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda; o ex-senador e presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014, além dos ex-deputados João Lyra (PSD-AL) e Vadão Gomes (PP-SP).

Nos documentos, denominados “The Panama Papers”, constam ainda nomes de familiares de políticos que possuem ou possuíram offshores registradas. O filho do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), bem como o filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA) são alguns dos nomeados.

Fernando Rodrigues lembra que a lei brasileira permite que qualquer cidadão tenha uma empresa em paraíso fiscal, no entanto, é preciso que a operação seja registrada no Imposto de Renda. O envio de recursos para o exterior também deve ser informado obrigatoriamente ao Banco Central.

Os documentos foram obtidos com exclusividade pelo UOL, o Estado de S. Paulo e a Rede TV! através do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) e vem sendo investigado há cerca de um ano. O jornal alemão Süddeutsche Zeitung obteve as informações originais da base de dados da Mossack Fonseca e compartilhou com a organização sem fins lucrativos ICIJ.

Apesar de funcionários da Mossack Fonseca alegarem que a política da companhia é “não atender pessoas que têm ou tiveram cargos políticos”, algumas das offshores foram utilizadas por políticos e seus parentes para compra de bens e imóveis no exterior ou para movimentação de contas bancárias.

Em checagem no banco de dados, o UOL verificou que 513 deputados federais, 81 senadores e seus suplentes, 1.061 deputados estaduais eleitos em 2014 e 424 vereadores das 10 maiores cidades brasileiras constam nos documentos como pessoas classificadas no mercado financeiro como “PEPs” (da sigla em inglês “politically exposed person”. Em portugues “pessoa politicamente exposta”).

Nomes divulgados no Panama Papers

Diversas personalidades conhecidas internacionalmente, entre elas 72 chefes ou ex-chefes de Estado, foram afetadas pela divulgação de documentos da empresa Mossack Fonseca.

Conforme publicaram neste domingo (03) os veículos de comunicação, entre os clientes da empresa estão o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o da Argentina, Mauricio Macri. Outros nomes ligados à Mossack Fonseca são jogador de futebol argentino Lionel Messi, a irmã do rei Don Juan Carlos, da Espanha, Dona Pilar de Borbón, e o diretor de cinema espanhol Pedro Almodóvar.

O presidente francês, François Hollande, garantiu nesta segunda-feira que o fisco investigará as revelações no escândalo “Panama Papers”, que mostraram centenas de supostos casos de evasão fiscal através da criação de empresas em paraísos fiscais.

O presidente da Uefa, Michel Platini, citado no “Panama Papers”, garantiu nesta segunda-feira que está em dia com o fisco suíço, país no qual tem fixada sua residência fiscal desde 2007.

Um empresário português que trabalhava no setor energético e que fez negócios com a Petrobras figura entre os nomes incluídos no escândalo “Panama Papers”, informou nesta segunda-feira a imprensa portuguesa.

Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICJI), do qual a revista lusa “Expresso” é membro, trata-se do empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira.

Os irmãos Pedro e Agustín Almodóvar afirmaram nesta segunda-feira que sabem quais são suas obrigações tributárias, após ser revelado no domingo que ambos figuravam como representantes, no começo dos anos 90, de uma “offshore” registrada em Ilhas Virgens Britânicas, um território considerado paraíso fiscal.

*Informações de Fernando Rodrigues e Agência EFE