Doria dá “superpoderes” a Bruno Covas e anuncia novo zelador

  • Por Jovem Pan
  • 01/11/2017 10h00 - Atualizado em 01/11/2017 13h10
PAULO LOPES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOPrefeito de São Paulo João Doria sorriu, trocou afagos e posou para fotos ao lado de Bruno Covas para esconder rixa com vice dos últimos dias

Após tirar o vice-prefeito Bruno Covas do comando da zeladoria da cidade (Secretaria de Prefeituras Regionais), uma das áreas mais criticadas de seu governo, o prefeito de São Paulo João Doria anunciou na manhã desta quarta-feira (01) uma minirreforma no comando do município.

Conforme a Jovem Pan antecipou no Jornal da Manhã (veja vídeo mais abaixo), quem assume a Secretaria de Prefeituras Regionais, tomando a missão de tapar buracos das ruas e calçadas, varrição, conserto de semáforos, entre outras, é Cláudio Carvalho, ex-diretor da construtora Cyrela, até então secretário da pasta de Investimento Social, comandando parcerias entre a Prefeitura e empresas.

Covas, que pode assumir a cidade caso se concretize o plano de Doria de concorrer à Presidência no ano que vem, não fica desprestigiado, no entanto. Ele assume a Casa Civil, novo cargo dividido da Secretaria de Governo, e terá “superpoderes”, sendo responsável pelas articulações políticas da Prefeitura com a Câmara Municipal, o Estado e o governo federal.

O evento foi acompanhado por uma multidão de funcionários das subprefeituras, que lotaram o auditório da prefeitura e gritaram “1,2, 3, é Covas outra vez” quando o prefeito e o vice chegaram e também após a fala do vice.

Eduardo de Castro assume a secretaria de Meio Ambiente, cargo que estava vago desde setembro, quando o vereador Gilberto Natalini (PV) deixou o posto.

A pasta de investimentos sociais foi extinta e suas atribuições acumuladas pela Secretaria de Prefeituras Regionais. Com isso, o número de secretarias se manteve em 25.

Houve nos últimos dias uma rusga publicamente disfarçada entre Doria e Covas, desde que o prefeito demitiu o então secretário-adjunto das Prefeituras Regionais (braço direito de Covas) Fabio Lepique, acusado de usar o cargo para fazer campanha antecipada a deputado, conforme apurou Vera Magalhães. O fato de Covas ter cogitado também concorrer ao cargo de deputado federal em 2018 e articulado nesse sentido gerou atrito com o prefeito, que quer deixar a cidade em mãos conhecidas.

“Super secretaria”

Durante a coletiva de imprensa, Doria afirmou que Covas vai assumir uma “Super Secretaria”, com responsabilidade enorme e onde poderá usar capacidade de articulação política.

Doria reiterou que a relação entre os dois é boa. “Bruno e eu temos uma relação de absoluta igualdade. Covas foi eleito comigo com o mesmo numero de votos e a mesma confiança dos eleitores”, disse.

Sobre a saída de Covas da secretaria de Prefeituras Regionais, o prefeito disse que houve apenas uma mudança para estruturar melhor a gestão da cidade e que a atuação do vice à frente da pasta não o desagradou.

“Não há nenhum reparo na gestão do Bruno, mas com esta nova estrutura vamos melhorar ainda mais. Já disse que temos que ter os ouvidos muito ligados na população, e a população fez algumas reclamações”, minimizou Doria.

O prefeito também elogiou Fábio Lepique, que não compareceu ao evento. Lepique era homem de confiança de Covas e responsável pelas ações de zeladoria em São Paulo. Ele foi demitido por Doria quando Bruno Covas estava em viagem ao exterior, na semana passada, gerando nos bastidores o estremecimento na relação entre os dois.

Covas nega candidatura

O vice-prefeito de São Paulo negou nesta quarta-feira a intenção de disputar as prévias do partido para o governo estadual. “Nunca me coloquei como pré-candidato às prévias do governo do Estado”, disse o tucano, que participou de coletiva de imprensa na Prefeitura em que foi anunciada sua nomeação para a Secretaria Civil.

Em sua fala, o vice agradeceu Doria pela confiança e disse que vai poder conciliar duas coisas que gosta de fazer, “que é política e trabalhar no Executivo”.

Bruno Covas repassou ainda seus feitos à frente da secretaria de Prefeituras Regionais e mandou um recado aos que circularam que a relação entre ele e Doria está abalada. “Infelizmente quiseram plantar notícia de que nossa relação tem qualquer estremecimento. Queria dizer que, na aritmética da minha relação com o prefeito, quem apostar na divisão vai perder, porque aqui é só soma”, discursou.

União do “centro”

Na terça (31), Doria já havia dito no Rio de Janeiro que Covas estava “prestigiadíssimo” e negou que o vice perderia “poder” com a saída da zeladoria. Bruno Covas foi “eleito com os mesmos votos (com) que eu (Doria) fui eleito”, disse o prefeito.

O pré-candidato ao Planalto também falou sobre a política nacional e defendeu a formação de uma frente partidária “de centro” (com PSDB, PMDB, DEM, PPS, PP, PR, PRB, PV e PSB, países do atual governo Temer e do “Centrão”) para enfrentar os “extremistas”, que, segundo ele, são o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Com informações complementares de Estadão Conteúdo