Doze militares são denunciados pela morte de músico e catador

  • Por Jovem Pan
  • 10/05/2019 20h29 - Atualizado em 10/05/2019 20h30
Estadão ConteúdoOs denunciados dispararam 257 tiros de fuzil de pistol e o carro de santos foi atingido por 62 tiros

Doze militares foram denunciados pela morte do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador de recicláveis Luciano Macedo nesta sexta-feira (10). A decisão foi feita pelas promotoras de Justiça Militar Najla Nassif Palma e Andrea Blumm Ferreira e enquadrou os homens nos crimes de tentativa de homicídio qualificado por meio de que possa resultar perigo comum, homicídios qualificados e omissão de socorro. “Não foram encontradas armas ou outros objetos de crime com as vítimas”, ressaltaram.

Foram oito soldados, dois cabos, um 3º sargento e um 2º tenente temporário. De acordo com as promotoras, os denunciados dispararam 257 tiros de fuzil de pistola. O carro de Santos foi atingido por 62 tiros “sendo 38 de calibre 5,56mm; 12 de calibre 7,62mm; 1 de calibre 9mm; e 11 de calibre não identificado”. Também foram “recolhidos no local do segundo fato, próximo a onde estava a viatura militar, 82 estojos percutidos e deflagrados, sendo 59 de calibre 5,56mm e 23 de calibre 7,62mm”.

Em denúncia, afirmam que “atuando em legítima defesa de terceiros que estavam sob mira de pistolas, agiram com excesso ao efetuar, em união de esforços e unidade de desígnio, um grande número de disparos contra os autores do roubo, usando armamento de alto potencial destrutivo em área urbana”.

“Embora a ação dos militares fosse dirigida aos autores do roubo, por erro, vitimou pessoa não envolvida no fato, fazendo incidir a segunda hipótese prevista no art. 37 do Código Penal Militar (erro na execução)”, escrevem.

As promotoras ainda sustentam que a conduta dos denunciados “desrespeitou o padrão legal de uso da força e violou regras de engajamento previstas para operações análogas, em especial o emprego da força de forma progressiva e proporcional e a utilização do armamento, sem tomar todas as precauções razoáveis para não ferir terceiros”.

Ressaltaram ainda que “não existiu, naquele instante, agressão ou ameaça à tropa ou a terceiros, os denunciados, em união de esforços e unidade de desígnio, executaram uma enorme quantidade de disparos de arma de grande potencial destrutivo contra um veículo ocupado por duas pessoas e contra uma terceira pessoa, supondo, equivocadamente, tratar-se dos autores do roubo”.

“A ação injustificada dos militares, além de ter causado a morte de dois civis e atentar contra a vida de outro, expôs a perigo a população local de área densamente povoada. Assim agindo, incorreram os denunciados no crime de homicídio qualificado por meio de que possa resultar perigo comum, nas modalidades consumada e tentada”, afirmam.

As promotoras ainda dizem que “cessados os disparos, os militares limitaram-se a fazer o reconhecimento do local e dos feridos, sem prestar socorro imediato às vítimas, mantendo-se todos afastados destas”.

Os denunciados são: Italo da Silva Nunes, Fabio Henrique Souza Braz da Silva, Paulo Henrique Araújo Leite, Leonardo Oliveira de Souza, Willian Patrick Pinto Nascimento, Gabriel Christian Honorato, Matheus Sant’Anna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Gabriel da Silva de Barros Lins, Vitor Borges de Oliveira e Leonardo Delfino Costa.

O caso

No dia 8 de abril, o carro em que Santos estava com a família foi atingido por tiros, causando a morte do músico. O catador Luciano, que tentou ajudá-lo, também foi alvejado e faleceu alguns dias depois. Os militares teriam confundido o carro do músico com o de criminosos que, minutos antes, haviam praticado um assalto perto dali. Esse crime foi flagrado por uma patrulha do Exército. Havia sido roubado um carro da mesma cor, mas de outra marca e modelo – um Honda City.

* Com informações do Estadão Conteúdo