E-mails resgatados pela PF apontam Beto Richa como controlador de empresa que lavou propina

  • Por Jovem Pan
  • 25/01/2019 13h15
ANPREx-governador e seu homem de confiança, o contador Dirceu Pupo Ferreira, foram presos preventivamente por decisão da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba

E-mails recuperados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato mostram que o ex-governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB, seria o controlador da Ocaporã Administradora de Bens, empresa investigada por suspeita de ser caminho para lavagem de dinheiro. Richa e seu contador, Dirceu Pupo Ferreira, foram presos preventivamente por decisão da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba, responsável pela Lava Jato.

De acordo com as investigações da PF, a empresa teria sido utilizada para lavar dinheiro oriundo de propina de concessionárias de rodovias federais. Ao menos R$ 2,7 milhões teriam sido acobertados por meio da companhia.

A empresa está registrada, formalmente, no nome da esposa de Beto Richa, Fernanda Richa, e dos filhos do casal. A troca de e-mails recuperada teria acontecido entre 2011 e 2014 e o conteúdo revela a participação ativa do ex-governador no esquema.

O que dizem os e-mails

O primeiro e-mail, salvo em rascunhos, traz o texto “Pedágios 3 milhões Beto”. Outras anotações como “compromisso com as empreiteiras financiam o Beto”, “pacto de acionistas Sanepar” e “Copel está sendo vendida pelo Beto” foram consideradas suspeitas pelos investigadores.

Uma troca de mensagens de 3 de janeiro de 2011, entre Fernanda Richa e o contador Dirceu Pupo Ferreira, revela que a esposa do ex-governador o consultava para tomar decisões. No texto, Fernanda diz que levará ao marido uma estratégia de venda de terrenos no condomínio Alphaville Graciosa. Um mês mais tarde, Fernanda respondeu “O Beto acha que podemos esperar mais um pouco”.

Segundo procuradores da Lava Jato, Beto Richa teria lavado 2,6 milhões comprando terrenos em nome da Ocaporã com a ajuda do contador Dirceu Pupo Ferreira. Outros valores menores teriam sido depositados na conta da empresa diretamente.

Essa não é a primeira vez que Beto Richa é alvo de investigações por corrupção. Em 2018, o ex-governador chegou a passar quatro dias preso e a casa da sua mãe foi alvo de busca e apreensão no âmbito da operação Radiopatrulha.

*com informações do Estadão Conteúdo