E-mails revelam início da investigação da CGU sobre empresa holandesa que pagou propina à Petrobras

  • Por Jovem Pan
  • 14/04/2015 13h38
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 05-04-2010, 15h26: O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage Sobrinho, em Brasília (DF). A CGU suspeita de desvio de R$ 115 milhões em repasses feitos pela União ao governo do Distrito Federal entre 2006 e 2009, sendo 90% para pagamento de pessoal. (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)Jorge Hage - CGU

Conforme prometeu em entrevista na manhã desta terça (14), o ex-ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, encaminhou à Jovem Pan com exclusividade uma troca de e-mails que revela o início das investigações do órgão sobre as propinas que a empresa holandesa SBM Offshore pagou à Petrobras entre 2011 e 2012.

Os documentos foram apresentados em resposta à denúncia de ex-diretor da SBM publicada no jornal Folha de S. Paulo, de que a CGU haveria atrasado na abertura de processo por questões políticas e eleitorais. O ex-ministro refuta a ideia de que tenham sido as denúncias do delator Jonathan Taylor, que deu entrevista à Folha, que deram início à investigação. Os e-mails mostram que elas começaram com um e-mail de um jornalista inglês (veja abaixo).

Hage ainda enviou página do Diário Oficial da União em que o órgão pedia a abertura de investigação relacionada ao caso em 2 de abril de 2014.

Entenda

A troca de e-mail é entre Adam Dobrik, repórter do site internacional de investigação Global Investigations Review, e Gisele Mendanha, assessora de Comunicação da CGU que intermediava o contato com a equipe técnica do órgão.

Em 12 de fevereiro do ano passado, Adam informou a CGU sobre documentos vazados na internet que apontavam pagamento de propinas de US$ 139 milhões à Petrobras entre 2011 e 2012. Dois dias depois, a Controladoria respondeu dizendo estar ciente dos fatos mencionados, e que requereu da Petrobras informações sobre os contratos com a empresa holandesa.

Um mês depois, em 12 de março, após novo contato do repórter britânico, a CGU informou que já havia feito (em 28 de fevereiro) um comunicado formal ao departamento de cooperação internacional do Ministério da Justiça, que resultou no pedido para que o governo holandês colaborasse com as investigações.

Por fim, a assessoria da CGU informa sobre a abertura de investigação sobre os contratos da Petrobras com a SBM em 2 de abril.

Taylor, no entanto, falou à Folha sobre a abertura de processo contra a SBM, dada apenas em 12 de novembro passado, 77 dias após as “mil páginas” de documentos que o ex-diretor entregou à CGU espontaneamente, segundo ele, em 27 de agosto.

Na entrevista ao Jornal da Manhã, Hage alega que, quando se recebe uma denúncia, primeiro há que se instaurar investigação preliminar, para depois abrir “processo punitivo”.