Eduardo Cunha acredita em habeas corpus no STF e delação com nova PGR

  • Por Jovem Pan
  • 30/09/2017 11h45 - Atualizado em 30/09/2017 11h48
EFE/HEDESON ALVES"Estou pronto para revelar tudo o que sei", diz ex-deputado, que não poupou críticas a Janot e Sergio Moro.

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), preso há quase um ano, está confiante.

Em entrevista à revista Época publicada neste sábado (30), Cunha criticou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, a quem acusou de agir politicamente, e o juiz federal Sergio Moro, que o condenou a mais de 15 anos de prisão em março por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas em contratos da Petrobras na África.

Cunha diz que ainda pretende firmar acordo de delação premiada com a nova PGR Raquel Dodge e contar “tudo o que sabe”, com provas. Ele revelou que tem um acordo de confidencialidade sobre as negociações para ums possível colaboração. E diz que não vai “mentir” para assinar o acordo que pode lhe garantir anos a menos de cadeia. Cunha nega ter recebido mesada de Joesley Batista para guardar silêncio e ter se reunido com o presidente Michel Temer e Lúcio Funaro para acertar propina.

Confira alguns principais trechos da entrevista de Eduardo Cunha:

Críticas a Janot:

“O Janot não queria a verdade; só queria me usar para derrubar o Michel Temer”, disse. “Janot queria que eu colocasse mentiras na delação para derrubar o Michel Temer”. Para Cunha Janot queria um terceiro mandato na PGR ou fazer o sucessor na Procuradoria.

Ele operou politicamente esse processo de delações”, disse Cunha. “Janot queria que eu colocasse na proposta de delação que houve pagamentos para deputados votarem a favor do impeachment”, relatou. “Eles tiram as conclusões deles e obrigam a gente a confirmar”.

Delação

“Estou pronto para revelar tudo o que sei, com provas, datas, fatos, testemunhas, indicações de meios para corroborar o que posso dizer”, afirmou. “Estou disposto a conversar com a nova procuradora-geral (Raquel Dodge). Tenho histórias quilométricas para contar, desde que haja boa-fé na negociação”.

Funaro

“(Em uma delação) eu traria muitos fatos que tornariam inviável a delação da JBS”, disse Cunha. “E agora posso acabar com a (delação) do Lúcio Funaro”, garante o peemedebista.

“A delação do Lúcio Funaro foi feita única e exclusivamente pelo que ele ouviu dizer de mim”, disse Cunha. O ex-deputado preso nega encontro com Temer na base aérea de São Paulo e a compra de deputados no impeachment, delatados por Funaro, operador do PMDB.

“Tudo que ele falou do Michel Temer que disse ter ouvido falar de mim é mentira. Ele não tinha acesso ao Michel Temer ou aos deputados. Eu tinha”, afirma Cunha.

Mesada

Cunha nega ter recebido mesada do dono da JBS Joesley Batista na prisão para manter o silêncio. A acusação consta na primeira denúncia, por corrupção passiva contra Michel Temer, cujo prosseguimento foi negado pela Câmara. Joesley gravou conversa escondida com Temer e falou sobre benefícios a Cunha, ao que Temer respondeu: “Tem que manter isso, viu“.

Delação da JBS

Além de dizer que pode tornar “inviável” a delação da JBS, que já está sendo questionada na Justiça, Cunha diz que o acordo dos Batista com Janot “jogou uma nuvem de suspeição no Supremo sem base alguma”.

“(Joesley) escondeu que nos reunimos, eu e Joesley, quatro horas com o Lula, na véspera do impeachment. O Lula estava tentando me convencer a parar o impeachment. Isso é só um pequeno exemplo”.

Moro e prisão

Cunha classifica sua prisão preventiva como irregular e diz que foi usado como um “troféu político”. “O outro troféu é o Lula”, disse. “O MP e o Moro queriam ter um troféu político dos dois lados”.

Cunha acredita que será liberado da cadeia por meio de habeas corpus que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Cunha também criticou Sergio Moro e disse que ele é um “juiz que se acha salvador da pátria”. “Ele (Moro) quis montar uma operação Mãos Limpas no Brasil – uma operação com objetivo político. Queria destruir o establishment, a elite política. E conseguiu”.