Eduardo Cunha se compara a Lula em carta: ‘um troféu político da República de Curitiba’

  • Por Jovem Pan
  • 17/08/2018 09h45 - Atualizado em 17/08/2018 09h56
José Cruz / Agência Brasil O ex-deputado sugeriu que o modelo político do Brasil fosse trocado para o parlamentarismo

O ex-deputado Eduardo Cunha, preso na Operação Lava-Jato, publicou uma “carta à nação brasileira” após sua defesa recorrer para que ele fosse para o regime semiaberto. Na carta, Cunha justifica sua situação e se posiciona no cenário eleitoral.

Condenado pelo juiz Sérgio Moro a 15 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e evasão de divisas, o ex-deputado começa a carta se dizendo perseguido por ter sido responsável pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e se comparou a Lula, “um troféu político da República de Curitiba”. O emedebista reforçou que existem outros casos semelhantes ao dele e que “querem transformar a prisão provisória em prisão perpétua”.

Preso desde 2016, Cunha tem três pedidos de prisão preventiva decretados. Um já revogado pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello, outra decretada pelo juiz da 10ª Vara Federal de Brasília e mais uma do ministro do STF Edson Fachin, com base na delação da JBS. Ainda na publicação, o ex-deputado diz estar ” preso provisoriamente há 15 meses sem processo” e reclamou de outros denunciados que já foram soltos, inclusive Joesley Batista, a quem Cunha se refere como “meliante delator”.

No âmbito político, se declarou maior adversário do PT e o “principal responsável por sua queda”. Entretanto, disse ser defensor da democracia e reforçou que Lula tem o direito de ser candidato, “pois quem deve julga-lo é a população”. Cunha também chamou a ex-presidente Dilma Rousseff de “poste sem luz, que destruiu a economia e a política”.

Ainda na publicação, o ex-deputado sugeriu que o modelo político do Brasil fosse trocado para o parlamentarismo, “na semelhança do modelo Francês ou Português, onde o presidente consegue governar, com os partidos sendo obrigados a aderir à um programa de governo”.

Cunha ainda aproveitou para fazer propaganda política de sua filha mais velha Danielle Cunha (MDB), a quem ele se refere como “jovem, mulher, evangélica, empreendedora, capacitada, com um currículo que fala por si só; muito mais preparada do que eu”. O emedebista fez questão de dizer que sua filha continuará a “dar trabalho” e defenderá os interesses evangélico, como o combate ao aborto.

No final da carta, o ex-deputado – mesmo sem citar o nome de Henrique Meirelles – disse que o candidato do MDB a presidente é o mais preparado, “numa eleição repleta de candidatos contumazes, que trocam de legenda, mas não trocam de ambição, e de candidatos sem a menor condição de governabilidade”.