Após pedido do pai, Eduardo se desculpa por declaração sobre o AI-5

Deputado defendeu ‘regime fechado’ para quem depredar o patrimônio público em protestos

  • Por Jovem Pan
  • 31/10/2019 18h40 - Atualizado em 01/11/2019 09h41
Suamy Beydoun/Estadão ConteúdoFala sobre o AI-5 ocorreu em resposta a uma pergunta sobre a participação do Foro de São Paulo nas manifestações chilenas

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se desculpou na noite desta quinta-feira (31) em entrevista à TV Bandeirantes pela declaração feita mais cedo de que se a esquerda radicalizasse, “um novo AI-5” poderia ser decretado para contê-la. O pedido veio após uma solicitação do pai, Jair Bolsonaro, para que ele “tirasse a palavra AI-5” do vocabulário.

““Eu peço desculpas a quem, porventura, tenha entendido que estou estudando ou o governo está estudando o retorno do AI-5 ou qualquer medida restritiva. Essa possibilidade não existe, eu apenas citei o AI-5, não falei que ele estaria retornando”, afirmou Eduardo.

No programa “Brasil Urgente”, Bolsonaro disse que não se deve discutir “picuinhas”. “Vamos tocar este barco, que o Brasil tem tudo para dar certo”.

A fala de Eduardo sobre o AI-5 ocorreu em resposta a uma pergunta sobre a participação do Foro de São Paulo nas manifestações chilenas. O parlamentar disse que dinheiro do BNDES foi usado por Cuba e Venezuela para financiar movimentos de esquerda na América Latina.

Penas mais duras

Na entrevista, ele esclareceu que é “a favor de manifestações, sejam contra ou pró-governo Bolsonaro”, desde que pacíficas. Porém, defendeu que se estudem possibilidades de repressão para as pessoas que adotam vias violentas, como a depredação do patrimônio público.

“Como deputado, posso propor projetos de lei. Talvez uma pena mais dura para quem pratique esse tipo de coisa, uma criminalização em regime fechado para quem botar fogo em ônibus”, avaliou. Eduardo chamou esse tipo de atitudes de “ataques terroristas”.

“Estamos vendo acontecer no Chile, no Equador, e agora a esquerda está querendo trazer aqui pro Brasil”, afirmou.

Ele citou como exemplo de manifestação as pessoas que foram contra a sua indicação à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. “A gente pode estar errado em alguma coisa e o protesto pode servir como uma sinalização de que precisamos mudar nossa conduta. Por exemplo, minha indicação para a Embaixada, as pessoas vieram nas minhas redes sociais falar contra, eu acabei escutando e redirecionou. Agradeço a elas hoje em dia”, declarou.

Eduardo desistiu de ocupar o cargo em Washington para “ficar no Brasil e defender a pauta conservadora e o governo do pai”.