Em carta de demissão, Geddel diz ter feito profunda reflexão: “é hora de sair”

  • Por Jovem Pan
  • 25/11/2016 11h21
Geddel Vieira Lima - AGBR

Na manhã desta sexta-feira (25), Geddel Vieira Lima entregou ao presidente Michel Temer sua carta de demissão da Secretaria do Governo.

De acordo com a assessoria do Palácio do Planalto, Temer aceitou o pedido de Geddel, que era responsável pela articulação política do Governo com o Congresso Nacional.

Na carta, Geddel dirige-se a Temer: “avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair”.

Geddel Vieira Lima escreveu ainda que fez “profunda reflexão” para decidir pelo seu pedido de exoneração e não poupou elogios ao presidente.

“Retornado a Bahia, sigo como ardoroso torcedor do nosso governo, capitaneado por um Presidente sério, ético e afável no trato com todos, rogando que, sob seus contínuos esforços, tenhamos a cada dia um país melhor”, escreve.

Confira a carta na íntegra:

Acusação de Calero

Fora do Governo, o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, acusou Geddel de tê-lo pressionado para a liberação de uma obra imobiliária na Bahia. Calero alegou que o agora ex-titular da Secretaria de Governo cobrou um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais.

Calero disse ainda que o articulador político do Governo Temer o procurou pelo menos cinco vezes – por telefone e pessoalmente; e queria influenciar decisão do Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão subordinado à pasta da Cultura.

A intenção era aprovar o projeto imobiliário “La Vue Ladeira da Barra”, nos arredores de uma área tombada em Salvador, base de Geddel.

Reação de Geddel a acusação de Calero

Geddel Vieira Lima negou ter pressionado ex-ministro da Cultura em favor de projeto imobiliário em Salvador.

Ele garantiu que apenas “ponderou” com Marcelo Calero acerca de parecer do Iphan que restringia o gabarito do empreendimento.

O Iphan autorizou a obra, mas no Governo de Dilma Rousseff recuou, alegando que a torre de 24 andares encobria ao menos três bens tombados.