Em crise, BRF tenta convencer ex-executivos a colaborar com leniência

  • Por Jovem Pan
  • 26/11/2018 14h46
Geraldo Bubniak/Estadão ConteúdoEx-funcionários dizem estar intimidados com abordagem da empresa

Investigada pela Polícia Federal desde o ano passado, a BRF – dona das marcas Sadia e Perdigão – iniciou uma ofensiva para acelerar acordo de leniência. Para isso, está contatando para serem colaboradores executivos indiciados nas operações Carne Fraca e Trapaça.

Em forte crise financeira, e também de reputação, a maior exportadora de frango do mundo vê a assinatura desse acordo – espécie de delação premiada para empresas – como peça importante de sua reestruturação.

Na Operação Trapaça, funcionários e executivos foram acusados de envolvimento em fraudes internas e adulteração de dados laboratoriais para burlar fiscalização sanitária. Na Carne Fraca, são apurados pagamentos de propina a funcionários do governo e políticos pela BRF.

As negociações dos acordos dos executivos envolvem delações que podem ser homologadas no Supremo Tribunal Federal (STF) em casos que envolvem alvos com direito a foro privilegiado, e na Justiça Federal no Paraná, onde estão processos de primeira instância.

Advogados da BRF têm mantido contato com o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), além do Ministério de Transparência e da Advocacia Geral da União (CGU). Ainda não há previsão para que a estratégia se concretize.

Incentivo

Para incentivar os executivos a se tornarem delatores, a BRF tem oferecido custear as despesas jurídicas e auxiliá-los no processo. Mas argumenta que, no processo de leniência, vai levantar indícios e documentos internos que podem acabar incriminando esses mesmos delatores.

A companhia contratou um time de criminalistas para ajudar as dezenas de colaboradores em potencial. O advogado Fernando Castelo Branco defende a empresa e os escritórios Tozzini Freire e Simpson Tacher & Barlett LLP auxiliam a investigação interna para identificar atos ilícitos.

A delação dos executivos é paralela à leniência, na qual a empresa, a partir de dados reunidos internamente, se compromete a passar às autoridades o que encontrar. A adesão de colaboradores, porém, é importante, porque podem detalhar ou apontar crimes que a BRF não detectou.

Um ex-executivo do alto escalão do grupo, que não quis se identificar, afirmou que ele e alguns colegas estão se sentindo intimidados com a abordagem da BRF. No total, a PF indiciou 43 pessoas, incluindo os ex-presidentes da empresa, Pedro Faria, e do conselho, Abilio Diniz.

*Com informações do Estadão Conteúdo