Emissão de carteiras de trabalho a refugiados bate recorde em 2018

  • Por Jovem Pan
  • 22/08/2019 14h49
Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil68,4% dos documentos emitidos em 2018 para refugiados foram para venezuelanos

Em 2018, o Brasil concedeu 36.384 carteiras de trabalho a imigrantes que solicitaram ou obtiveram o status de refugiados no país. O número é o maior registrado desde 2010 e representa quase a metade do total de 76.878 carteiras emitidas entre 2010 e o ano passado.

O Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra 2019), divulgado nesta quinta-feira (22) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, indica que 68,4% dos documentos emitidos em 2018 para refugiados foram para venezuelanos, 19% foram entregues a haitianos e 4,8% a cubanos.

O relatório revela ainda que, nos primeiros seis meses de 2019, a contratação de trabalhadores venezuelanos no mercado formal superou o total registrado durante todo o ano passado.

Outro grupo com destaque no primeiro semestre deste ano é o de haitianos. Eles responderam, em 2018, pelo maior número de movimentação (admissões e demissões) de trabalhadores imigrantes no mercado formal.

Aumento de venezuelanos

A expectativa, no entanto, é que os venezuelanos superem em breve o número de haitianos com carteira de trabalho assinada. De acordo com o coordenador-geral de Imigração Laboral do Ministério da Justiça, Luiz Alberto Matos dos Santos, dados dos primeiros seis meses de 2019 indicam a manutenção da tendência já verificada em 2018, com a crescente absorção de venezuelanos pelo mercado formal.

O número de pessoas vindas do Haiti, considerado o mais pobre do hemisfério ocidental, não tem aumentado e a movimentação laboral deles se deve à eficácia da política de interiorização implementada pelo Estado brasileiro, informou o coordenador.

O estado de São Paulo e a Região Sul continuam atraindo a maioria dos imigrantes que chegam ao Brasil em busca de emprego.

Indústria e comércio são os que mais contratam

Segundo Santos, indústria e comércio são as atividades que mais contratam trabalhadores imigrantes. Os homens ocupam 72% das vagas formais, enquanto as mulheres ficam com os 28% restantes — ainda que o número de mulheres ingressando no país tenha aumentado no último período.

Segundo o Ministério da Economia divulgou em fevereiro deste ano, durante todo o ano passado foram emitidas 5.084.515 novas CTPS, sendo 4.999.502 de carteiras para brasileiros e 85.013 para estrangeiros. O resultado total representou um aumento de 5% em relação a 2017, quando 4,8 milhões de trabalhadores receberam o documento.

*Com Agência Brasil