Escolha de Barbosa para Fazenda é muito ruim, diz presidente da CMO

  • Por Agência Estado
  • 18/12/2015 19h56
A senadora Rose de Freitas, presidente da Comissão Mista de Orçamento, durante reunião extraordinária para discutir a Lei Orçamentária de 2016. O texto, prevê gasto maior que a receita (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Deputada Rose de Freitas

A presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), classificou nesta sexta-feira, 18, como “muito ruim” a escolha de Nelson Barbosa para ocupar a pasta da Fazenda. Para a peemedebista, Barbosa não tem independência e sofre a influência direta da presidente Dilma Rousseff para tomar decisões de política econômica que a contrariem.

“É preciso ter uma certa autonomia de pensamento para complementar as medidas necessárias do ajuste fiscal. Ele não fará”, disse Rose, ao ressalvar que não tem nada, do ponto de vista pessoal, contra Barbosa.

A presidente da CMO disse que o novo titular da Fazenda “não é um poupador”. “Ele queria ter abatimento da meta fiscal e ter mais recursos para gastar”, avaliou ela.

Rose de Freitas foi uma das principais articuladoras no Congresso para aprovar o superávit primário de 0,5% do PIB no próximo ano sem qualquer tipo de dedução da meta. Era uma saída política para impedir o corte de R$ 10 bilhões no programa Bolsa Família ao mesmo tempo em que tentava dar um aceno de rigor fiscal.

A senadora foi uma das interlocutoras frequentes de Joaquim Levy, defensor da meta fiscal de 0,7% do PIB. Ela articulou barrar a aprovação de uma proposta apresentada na terça-feira, 15, pelo governo que previa uma banda fiscal de 0% a 0,5%, a depender da atividade econômica e dos abatimentos fiscais.

A presidente da CMO considerou que agora não era uma “boa hora” para tirar o ministro da Fazenda, justamente no momento em que o governo começava a dar sinais positivos: aprovou um orçamento e ainda conseguiu vitórias no Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao rito do processo de impeachment. Rose é contra o impeachment de Dilma.