Escolha de Temer para articulação política foi decisão pacificadora, diz ministro da Defesa

  • Por Agência Brasil
  • 14/04/2015 15h39
SÃO PAULO, SP, 19.10.2014: DEBATE-PRESIDENTE - Michel Temer (PMDB) - O senador Aécio Neves (PSDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT), que disputam o segundo turno das eleições à Presidência, participam do debate da TV Record, neste domingo (19) em São Paulo. (Foto: Rodrigo Dionisio/Frame/Folhapress)Michel Temer (PMDB) no debate entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no dia 19/10/2014

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, chamou de pacificadora a decisão da presidente Dilma Rousseff de chamar o vice-presidente da República, Michel Temer, para o centro da articulação política. “O sistema eleitoral brasileiro não é bipartidário, é plural, e ninguém entra em uma coalizão se não puder compartilhar o ônus e o bônus – o ônus da crítica, quando algo dá errado, e o bônus do exercício do poder em momentos melhores”, disse ele ao participar, na manhã de hoje (14), da abertura da 10ª edição da LAAD Defence & Security 2015, maior feira dos setores de Defesa e Segurança da América Latina, no Rio Centro, zona oeste da capital fluminense.

Para Wagner, o PT não assume papel secundário no comando do país com o aumento do protagonismo do PMDB na articulação política. “Quem está indo para a rua protestar contra o governo, protesta contra o partido dos trabalhadores, pois o identifica como o condutor de uma coalizão de forças que não passa apenas pelo PMDB. Portanto, acho que temos o protagonismo”, argumentou ele. “Mas temos que compartilhar este protagonismo com vários partidos que estão conosco na coalizão. Acho que o poder tem que ser compartilhado, a Câmara tem seu papel, o Senado tem seu papel”, completou.

O ministro também comentou as manifestações que ocorreram no domingo contra o governo. “O movimento tem uma bandeira única, que é o impeachment, e acho que não é uma bandeira que consiga motivar [correntes] diferentes, como foi nos movimentos pelas Diretas Já e do Passe Livre”, declarou. O pedido de intervenção militar que alguns defendem nas manifestações, segundo ele, tem influência praticamente nula no “seio dos comandos” das Forças Armadas, além de afrontar a Constituição e a democracia.

“Quero registrar minha tristeza, porque eles [movimentos a favor da intervenção militar] não são contra o governo, mas contra a institucionalidade como um todo, pelo fechamento do Congresso, fechamento do Judiciário e aniquilação do Executivo. O poder deve ser conquistado pelo voto popular, e perdido pelo voto popular também”, ponderou ele.