Especial Amazônia: assista ao documentário feito pela Jovem Pan sobre os problemas e desafios da região

O mini documentário de 22 minutos de duração apresenta uma série de reportagens especiais produzidas pela Jovem Pan sobre a maior floresta tropical do mundo

  • Por Jovem Pan
  • 02/08/2020 11h35 - Atualizado em 02/08/2020 11h35
EFEJovem Pan apresenta especial sobre a Amazônia

Jovem Pan lança neste domingo (2) o mini documentário “Queimadas na Amazônia“, sobre os problemas, desafios e perspectivas para a região. São 22 minutos de conteúdo especial, com entrevistas com especialistas e material rico sobre a maior floresta tropical do mundo. O documentário aborda o problema das queimadas e mostra como isso impacta a vida da população da região, mas também ressalta as medidas tomadas para a preservação da floresta, principalmente em relação ao desmatamento ilegal. A série de reportagens, apresentada por Daniel Lian, foi exibida no Jornal da Manhã durante a última semana.

As queimadas são, sem dúvidas, o principal problema na Amazônia. Nesta semana, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicou que o número de focos de incêndio na floresta no mês de julho foi 28% maior em relação ao mesmo mês do ano passo. As queimadas têm relação direta com a estratégia de limpeza do solo para utilização na pecuário e no plantio. No entanto, há alternativas sustentáveis que não agridem o meio ambiente. O projeto Cacau Floresta é um exemplo disto. Conforme mostra o mini documentário, eles adotaram uma metodologia limpa que tem como transformar áreas degradadas e com forte pressão do desmatamento em agroflorestas, incentivando assim a geração de renda através da agricultura familiar, especialmente nas regiões de São Félix do Xingu, Tucumã e Ourilândia do Norte, no Pará. O vice-gerente de restauração da TNC, Rodrigo Freire, diz que a solução encontrada acaba beneficiando todos os agentes da cadeia. “Encontramos uma equação muito interessante junto a eles, uma equação que responde às demandas econômicas, familiares, sociais, ambientais, inclusive de engajamento de juventude, melhoria da equidade de gênero e segurança alimentar. Conseguindo fazer essa equação, o engajamento dos produtos é muito legal, porque faz sentido pra eles se envolveram nesse tipo de projeto.”

Outro problema é a grilagem. Ao todo, são 116 mil quilômetros quadrados invadidos, segundo levantamento da Universidade Federal do Pará e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, publicado em junho deste ano. A grilagem desses espaços tem como objetivo frequente a especulação fundiária. Cerca de 30% das queimadas e desmatamento na Amazônia em 2019 aconteceram dentro de florestas públicas não destinadas. O porta-voz da campanha do Greenpeace, Romulo Batista, indica que esses territórios são maiores que muitos países. “A gente tem mais de 63 milhões de hectares de área pública não destinados, isso é muito maior que vários países na Europa. Essas áreas deveriam ter uma destinação, que não é através de uma Medida Provisória ou de um projeto de Lei para passar isso para as mãos da iniciativa privada”, explica.

Impactos e soluções

Além de devastar a floresta, essas ações impactam diretamente na vida dos povos que vivem e dependem da Amazônia. A rede hospital é duramente afetada e sobrecarregada na Amazônia. Em tempos de pandemia, o atendimento que já está bastante pressionado pela Covid-19 pode ganhar ares de colapso. O médico e professor da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo, Paulo Saldiva, indica que a fuligem da queimada é tão impiedosa quanto a poluição, sendo praticamente a mesma coisa que estar em um grande centro urbano com muitos carros e fábricas. “Como acontece nas grandes cidades, a poluição veicular, a queima e a poluição de leva a um drama de saúde imensurável com aumento significativo de doenças respiratórias e cardiovasculares. Ou seja, não é só um problema ecológico, é também de saúde da população”, explica.

Os pequenos também sofrem com as circunstâncias da devastação pelas chamas. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que o número de crianças internadas dobra nas localidades afetadas por queimadas na Amazônia. De acordo com o estudo, viver em um cidade próxima aos focos de incêndio aumenta em 36% o risco de internação. O sanitarista da fundação, Christovam Barcellos, expõe um quadro critico na chamada zona do fogo. “Houve aumento de internações muito grande na Amazônia, principalmente em uma área que se chama área do desmatamento ou zona do fogo. Nesse local, onde acontece a maior parte das queimas, dobrou o número de internações. Os municípios onde houve queimada existe um aumento de 50% nas internações de crianças por problemas respiratórios.”

Para evitar todos esses problemas, o podre público e ONGs fazem ações que buscam coibir o desmatamento e as queimadas ilegais. A Operação Verde Brasil 2, feita pelas Forças Armadas na Amazônia, realizou 14 mil ações que geraram R$ 407 milhões de reais em multas. Recentemente, a operação Amazônia Viva flagrou vários crimes ambientais, na ocasião, foram apreendidos veículos, caminhos, motosserras, madeira sem documentação e armas de fogo. Os temas ambientais, muitas vezes, se deparam com entraves, esta é a avaliação do presidente da República. Durante sua live tradicional, respondendo a uma pergunta do jornalista José Maria Trindade, da Jovem Pan, Jair Bolsonaro enfatizou que a questão poderia ter avançado se fosse aprovada a Medida Provisória sobre o Plano Fundiário.

Para Rubens Benini, líder de restauração florestal da TNC (AL), a diretriz pode ser melhorada. De acordo com ele, o Brasil deveria criar um modelo próprio de desenvolvimento. “Um modelo de desenvolvimento e ocupação da terra, um modelo pioneiro de desenvolvimento que cabe ao nosso país. O nosso país tem um outro clima, é um país tropical, o solo na Amazônia é pobre, então é uma realidade bem diferente da Europa. A a gente deveria ter um modelo de ocupação bem diferente. O emprego do fogo para ação do solo está comprovado que não é benéfico.”

Enquanto não há um regramento que complemente todas as partes interessadas e possibilite um convívio pacífico em toda região, o governo tenta uma trégua com medidas mais enérgicas de combate às queimadas. Prestigiado pelo presidente da República que o assegura no cargo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, espera resultados do decreto que pode viabilizar uma dose de equilíbrio para a floresta Amazônica. “Proibindo as queimadas de forma absoluta na Amazônia e no Pantanal, com as exceções previstas em lei nos demais biomas”, afirma. O fato é que algo precisa ser feito com urgência na direção da proteção da maior floresta tropical do planeta. As futuras gerações dependerão de decisões tomadas a partir de agora. Pelo menos o que se vê é que os holofotes do mundo estão voltados para a Amazônia e a reação das autoridades governamentais têm mostrado uma resposta aos acontecimentos.