Ex-ministro da CGU diz que é “mentirosa e ridícula” acusação de atraso de denúncia com fins eleitorais

  • Por Jovem Pan
  • 14/04/2015 09h58
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 12-10-2014: O ministro da Controladoria-Geral da República Jorge Hage, durante entrevista exclusiva à Folha, em seu gabinete, em Brasília (DF). (Foto: Sergio Lima/Folhapress, PODER)Jorge Hage

O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU) no ano passado, Jorge Hage, quando o órgão teria atrasado abertura de processo para proteger o governo segundo denúncia publicada na Folha de S. Paulo (entenda abaixo), refutou veementemente as acusações.

Hage chamou a entrevista, em que ex-diretor da empresa holandesa SBM Offshore, Jonathan Taylor, fala de denúncias sobre propinas à Petrobras, de “matéria absolutamente mentirosa e ridícula”. (Ouça a entrevista completa acima)

O executivo estrangeiro acusou o órgão de controle do governo brasileiro de segurar a abertura de processo contra a empresa internacional por causa das eleições presidenciais. Hage nega, e diz que “a CGU estava divulgando esse caso e divulgando, até em esses órgãos de imprensa (Folha e UOL), desde o início do ano (2014)”. 

Hage garante ainda que não foi pela denúncia de Taylor que a CGU abriu as investigações contra a SBM. “Esse cidadão Taylor tomou conhecimento que nós estávamos investigando exatamente pela imprensa internacional”, disse em entrevista exclusiva à Jovem Pan. O ex-ministro da Controladoria afirmou que já havia uma sindicância preliminar investigando irregularidades na companhia holandesa que presta serviços na área petrolífera.

“Foi pela denúncia de um site inglês (Global Investigations Review) que trabalha com investigações que nós ficamos sabendo, abrimos um processo e, no meio do caminho de nossa investigação preliminar, em meados de 2014, o cidadão Taylor me mandou um e-mail se identificando como o funcionário da matéria inglesa”, disse Jorge Hage. O e-mail teria sido enviado em 27 de agosto, segundo Taylor.

Às 12h, Jorge Hage enviou à Jovem Pan troca de e-mails que mostra as origens da investigação da CGU em relação à SBM. Veja aqui.

“O trabalho da CGU é muito anterior a novembro”, relatou Hage. “O que aconteceu em novembro foi a formalização do processo depois de nós termos insistido com Taylor para nos passar mais informações e termos solicitado pelas vias oficiais de cooperação internacional as informações ao Ministério Público da Holanda”, afirmou.

“Era do interesse da Controladoria mostrar o que estava fazendo, ao contrário do que diz essa ridícula denúncia”, contestou o ex-ministro. “A Folha e o UOL seguramente foram alguns dos que divulgaram o que a CGU estava fazendo desde o primeiro semestre de 2014.”

Hage explica que, quando a Controladoria recebe uma denúncia, abre investigação preliminar para colher “dados consistentes e provas preliminares, até a abertura de um processo punitivo”.

Entenda

Reportagem de capa da Folha de São Paulo desta terça-feira (14) traz entrevista que acusa a Controladoria Geral da União de atrasar uma investigação de pagamento de propina a funcionários da Petrobras.

Segundo o jornal, o principal órgão de controle interno do governo federal recebeu durante a campanha eleitoral do ano passado provas de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina para fazer negócios com a Estatal, mas só abriu processo contra a empresa em novembro, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

O ex-diretor da empresa holandesa, Jonathan David Taylor, disse ter entregue, entre agosto e outubro do ano passado, mil páginas de documentos que comprovariam as irregularidades.

A investigação da CGU, no entanto, só teria começado em 12 de novembro, já passado o segundo turno das eleições presidenciais. Para Taylor, a demora teve motivo político. “A única conclusão que eu posso tirar é que queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar impacto negativo nas eleições”, disse o delator à Folha.

No final da entrevista, Hage foi questionado sobre a necessidade de melhoria da infraestrutura da CGU para combater as muitas denúncias de corrupção. Ele falou: “O fato de termos tantas pessoas importantes presas é algo muito importante, que 20 anos atrás ninguém imaginaria que aconteceria”. Veja mais detalhes dessa parte da entrevista aqui