Família Alcolumbre acumula R$ 1 milhão em multas ambientais no Ibama

  • Por Jovem Pan
  • 04/04/2019 13h58
Geraldo Magela/Agência SenadoPresidente do Senado disse que tem "mais de 50 primos no Amapá" e que não tem relação com os alvos das infrações

Nos últimos dez anos, membros da família Alcolumbre, do presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP), receberam 13 multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Só em janeiro deste ano, Salomão Alcolumbre Júnior, primo do presidente do Senado, recebeu duas multas que somam R$ R$ 555 mil. O Instituto alega que ele cometeu infrações ambientais em uma área de 108 hectares localizada em Macapá, no Amapá.

Ele foi autuado por impedir a regeneração da área, descumprindo termos de um acordo que já tinha sido firmado com o órgão de fiscalização ambiental.

O valor total das infrações dos Alcolumbre chega a R$ 994,5 mil. Oito estão em nome de uma empresa da família, a Salomão Alcolumbre & Cia Ltda. Outras três estão em nome de Salomão Alcolumbre Júnior, e duas em nome do tio de Davi, o empresário Pierre Alcolumbre. Pierre foi o único que quitou suas duas multas, uma de R$ 5 mil e outra de R$ 13.500.

No ano passado, a empresa Salomão Alcolumbre & Cia Ltda foi multada em R$ 80 mil por descumprir o embargo comercial de vendas combustíveis pelo Posto Salomão, onde o presidente do senado gastava toda a sua cota de combustível quando ainda era deputado. O posto continua sob o comando da família.

As normas de uso da verba indenizatória proíbem a utilização da cota para ressarcimento de despesas relativas a bens fornecidos ou serviços prestados por empresa da qual o proprietário ou detentor de qualquer participação seja o deputado ou parente de até terceiro grau.

À época, o gabinete do parlamentar informou que a família Alcolumbre era dona de cerca de 70% dos postos de combustível do Amapá, “sendo inviável não abastecer na empresa de parentes”.

Em todas as notas de Davi Alcolumbre às quais jornalistas tiveram acesso, os valores discriminados dos produtos sofreram pequenos arredondamentos para que o valor final fosse exatamente o máximo que a Câmara permitia para reembolso.

Questionado sobre as multas ambientais aplicadas pelo Ibama, o presidente do Senado disse que não é alvo de nenhuma autuação. Por meio de sua assessoria, declarou que “tem mais de 50 primos no Amapá” e que não pode responder por eles.

Davi Alcolumbre disse que “acha positiva a fiscalização feita pelo Ibama e que o órgão deve punir qualquer um que infringir a lei”. O senador declarou ainda que não tem nenhum tipo de relação com os alvos das infrações e que desconhecia as multas aplicadas neste ano pelo órgão federal.

A área de fiscalização ambiental do Ibama está na mira do presidente Jair Bolsonaro, que classificou o trabalho como uma “indústria da multa” que precisa acabar. Na semana passada, o servidor do Ibama que multou o então deputado Jair Bolsonaro em 2012, por pesca irregular em uma área de proteção ambiental no Rio de Janeiro, foi exonerado. A dispensa de José Olímpio Augusto Morelli, que atuava um cargo de comissão na Diretoria de Proteção Ambiental (Dipro), foi publicada no Diário Oficial da União.

A decisão de retirar Morelli do cargo foi tomada pelo major da Polícia Militar Olivaldi Alves Borges Azevedo, que foi nomeado em janeiro por Bolsonaro, para assumir o comando da Dipro, ao qual o Morelli estava subordinado. Um dia antes da nomeação de Olivaldi para o cargo, o Ibama anulou a decisão que multou em R$ 10 mil o presidente Jair Bolsonaro pela pesca irregular, em Angra dos Reis (RJ).

*Com informações do Estadão Conteúdo