Família de Marielle pede suspensão de julgamento que define federalização do caso

Os familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes, assassinados em março de 2018, enviaram carta aos ministros do STJ pedindo que o caso permaneça na Polícia Civil

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2020 18h40 - Atualizado em 19/05/2020 19h01
ReproduçãoMarielle Franco e Anderson Gomes, assassinados em março de 2018

O Instituto Marielle Franco e a Coalizão Negra por Direitos enviaram à ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), um pedido de suspensão condicional do processo que trata da federalização das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

As entidades pedem que a apreciação do caso, que está prevista para o próximo dia 27, seja adiada até o fim das investigações sobre suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Na avaliação deles, a resolução do inquérito que corre junto ao Supremo Tribunal Federal é “fundamental” para que se prossiga com a análise da federalização do caso Marielle.

Segundo as entidades, com a eventual transferência das investigações para o nível federal, “a disposição presidencial para interferência na ação da Polícia Federal pode reverberar na resolução ou não do caso, comprometendo as investigações até então realizadas”.

Nesta terça-feira (19), os familiares de Marielle e Anderson também enviaram carta aos ministros do STJ reiterando a posicionamento contrário a tirar as investigações das mãos da Polícia Civil e mudá-la para a Polícia Federal.

“Senhoras e Senhores Ministros, nesse cenário de incertezas e denúncias graves de interferência na Polícia Federal, nossas famílias não podem aceitar que as investigações dos assassinatos de Marielle e Anderson sejam federalizadas. Entendemos que a federalização, neste momento, é um caminho muito mais próximo da impunidade que da conclusão isenta das investigações”, afirmam no texto.

A federalização do caso foi solicitada em 2018 pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que denunciou o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio, Domingos Brazão. O caso foi resultado de uma “investigação da investigação” feita pela Polícia Federal para apurar se a Polícia Civil do Rio estava obstruindo a elucidação do caso.

O posicionamento pela não federalização do caso também foi adotado pela Advocacia-Geral da União (AGU) do governo Bolsonaro e pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que apesar de inicialmente apoiar levar o caso para a PF, mudou de ideia e defendeu a manutenção do caso no Rio.

Em parecer, a AGU afirma que o fato dos familiares da ex-vereadora serem contrários à federalização “deve ser considerado e prestigiado pelo STJ”.

*Com informações do Estadão Conteúdo