Fora da agenda, ministro visita força-tarefa da Lava Jato

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, visitou, pela primeira vez, a sede da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. O encontro não estava na agenda oficial desta terça-feira (21). Acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, Moraes foi ao prédio da Justiça Federal, onde se encontrou com o juiz Sérgio Moro. À tarde, se reuniu com os procuradores do Ministério Público Federal e teve um encontro na Superintendência da PF com investigadores responsáveis pela apuração do cartel de empreiteiras que atuou na Petrobras e outras estatais.
A visita estava programada desde os primeiros dias de sua gestão na pasta. A reportagem apurou que o advogado quis manifestar pessoalmente apoio às investigações sob a tutela de Moro.
Nos bastidores, a viagem a Curitiba foi vista como uma forma de Moraes rebater aliados da presidente afastada Dilma Rousseff, que tentavam colar nele a imagem de possível “algoz” da investigação. Um dos argumentos dos adversários era o fato do jurista ter sido advogado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara, em uma ação relacionada ao uso de documentos falsos. O peemedebista, contudo, foi absolvido na ação.
Além da questão política, a visita também seria uma sinalização para setores da própria PF e do Ministério Público que criticaram a gestão do ministro. Em maio passado, poucos dias após a posse, o presidente da Associação Nacional dos Delegados Federais chegou a afirmar que a instituição estaria “preocupada” com a nomeação de ministros ligados à Lava Jato pelo presidente em exercício Michel Temer. Em junho, foi a vez do procurador Deltan Dallagnol sugerir a possibilidade de “pessoas poderosas e influentes” tentarem encerrar as apurações.
Moraes tem batido na tecla do apoio do Ministério da Justiça à operação. Ao tomar posse, em 12 de maio, classificou a operação como “símbolo” do combate à corrupção.
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