Após reação do Ministério da Defesa, Gilmar Mendes diz não ter atingido honra das Forças Armadas

O ministro afirmou, no entanto, que a substituição de técnicos por militares no Ministério da Saúde “extrapola a missão institucional das Forças Armadas”

  • Por Jovem Pan
  • 14/07/2020 11h08
Rosinei Coutinho/SCO/STF A declaração acontece após o Ministério da Defesa divulgar nota afirmando o empenho de Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) em preservar vidas durante a pandemia

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira (14) que respeita as Forças Armadas, embora tenha criticado a formulação de políticas públicas de saúde por militares, em meio à pandemia de Covid-19. A declaração acontece após o Ministério da Defesa divulgar nota afirmando o empenho de Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) em preservar vidas durante a pandemia, rebatendo comentário Gilmar de que o “Exército se associou a um genocídio”, numa referência ao trabalho de militares no Ministério da Saúde.

No comunicado, a Defesa afirmou que a acusação é grave e que enviaria à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação para adoção das medidas cabíveis a respeito das declarações do ministro. Em nota nesta terça, Mendes disse não ter atingido a honra de Exército, Marinha e FAB, e que nem mesmo citou estas duas últimas em seu comentário. “Apenas refutei e novamente refuto a decisão de se recrutarem militares para a formulação e execução de uma política de saúde que não tem se mostrado eficaz para evitar a morte de milhares de brasileiros”, escreveu o ministro.

Além disso, ainda no pronunciamento, o ministro afirmou que “vivemos um ponto de inflexão na nossa história republicana em que, além do espírito de solidariedade, devemos nos cercar de um juízo crítico sobre o papel atribuído às instituições de Estado no enfrentamento da maior crise sanitária e social do nosso tempo”.  Para ele, considerando o momento da pandemia da Covid-19, “a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade e extrapola a missão institucional das Forças Armadas”.

*Com informações da Agência Brasil