Governo anuncia que vai multar em até R$10 mil por hora caminhoneiros parados

  • Por Jovem Pan - com Reuters
  • 26/02/2015 16h10
***FOTO EMBARGADA PARA INTERNET*** SÃO PAULO, SP. 15.11.2014: OPERAÇÃO-LAVA JATO - Coletiva de imprensa com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as recentes operações da Polícia Federal. (Foto: Luciano Amarante/Folhapress) Luciano Amarante/Folhapress Coletiva de imprensa com o ministro da Justiça

 Os caminhoneiros que continuarem bloqueando rodovias do país poderão ter de pagar multas judiciais de 5 mil a 10 mil reais por hora, disse nesta quinta-feira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao anunciar que a Polícia Rodoviária Federal vai autuar quem estiver interrompendo as estradas.

“A decisão do valor da multa não é do governo, é da Justiça. Estamos cumprindo ordens judiciais. Tenho o dever de cumprir a lei e a lei será cumprida”, afirmou Cardozo a jornalistas.

Segundo Cardozo, a Polícia Rodoviária Federal vai aplicar multas de trânsito aos caminhões que estiverem bloqueando rodovias e essas multas serão usadas pela Advocacia Geral da União (AGU) para identificar aqueles que estiverem descumpridno as decisões judicias que determinam a liberação das vias.

“A AGU agilizará para que essas multas possam ser registradas dentro dos relatórios que forem encaminhados pela Polícia Rodoviária Federal para que possamos tomar as providências judiciais cabíveis para a cobrança dessas multas”, disse o ministro.

Para Cardozo, os bloqueios de caminhoneiros em estradas do país caíram de forma “visível” desde a quarta-feira, quando o governo federal se reuniu com representantes da categoria e empresários sobre a crise.

Na ocasião, o governo apresentou uma proposta para a categoria, que inclui o congelamento do preço do diesel por seis meses e 12 meses de carência para pagamento de financiamentos de compra de caminhões.

Cardozo disse que no horário de pico do movimento houve uma redução numérica no número de bloqueios e ainda uma queda no número de Estados em que os protestos estão ocorrendo.

“Houve um refluxo e uma concentração do movimento. Está localizado e visivelmente menor”, disse, afirmando que os bloqueios estão mais concentrados na região Sul do país.

As estradas federais do Brasil registravam no final da manhã desta quinta-feira 91 bloqueios devido aos protestos de motoristas de caminhões. Os números da PRF mostraram piora em relação ao boletim da noite anterior, que apontava 81 interdições. No meio da tarde de quarta-feira, eram 94 bloqueios.

Segundo Cardozo, o pico dos protestos chegou a registrar 119 pontos de bloqueios em estradas do país.

O ministro solicitou ainda à Polícia Federal que abra inquéritos para apurar “qualquer ato ilícito” que estiver ocorrendo. Ele citou que “há notícias”, por exemplo, de empresários que estão tentando liderar o movimento dos caminhoneiros.

Encontro com Janot

Cardozo comentou ainda que se reuniu na véspera com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, um encontro que não constou de sua agenda pública. Segundo o ministro, a conversa com Janot tratou de criação de um órgão para facilitar ações de combate à corrupção no país.

Ele preferiu não dizer se foi ou não oferecido a Janot segurança extra, uma vez que o procurador-geral deve divulgar nos próximos dias uma lista com nomes de dezenas de políticos envolvidos nos escândalos da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.

Petrobras e econtro com advogados

O ministro da Justiça comentou também repercussões do encontro secreto que teve com advogados de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Ele garante que as reuniões não foram registradas pois foram marcadas em cima da hora, depois do fechamento da agenda de Cardozo no dia anterior. “Não constava na minha agenda porque não estava previsto”, disse.

Cardozo afirmou ainda não temer ser chamado a depor na nova CPI da Petrobras instaurada nesta quinta na Câmara dos Deputados. “Toda pessoa do executivo tem que, quando lá solicitado, comparecer”, opinou o ministro, dizendo ter extremo apreço ao Legislativo.

(Por Leonardo Goy [Reuters]- primeira parte)

(Imagem do texto: EFE)