Governo Bolsonaro pode enfrentar primeira greve nesta quarta; entenda

  • Por Jovem Pan
  • 14/05/2019 20h42
Wikimedia CommonsProtesto foi organizado contra medidas do Ministério da Educação (MEC)

Estudantes de diferentes cidades do Brasil organizaram uma mobilização nacional nesta quarta-feira (15) que pode se tornar a primeira grande greve enfrentada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. O protesto foi planejado por alunos e profissionais contra algumas medidas do Ministério da Educação (MEC), em especial o contingenciamento anunciado pela gestão em universidades e institutos federais.

O descontentamento de parte dos estudantes com o MEC começou no último mês de abril quando o ministro Abraham Weitraub participou de uma transmissão ao vivo ao lado do presidente da República nas redes sociais e falou em reduzir investimentos nos cursos de ciências humanas. Pouco depois, afirmou, em entrevista, que pretendia cortar recursos de universidades que não apresentam bom desempenho de ensino e promovem “balbúrdia” nos campi, fazendo referência a festas e manifestações políticas.

O ápice da discórdia aconteceu logo em seguida com o anúncio do contingenciamento dos repasses para as universidades públicas. A medida fez com que o ministro fosse convocado, inclusive, para uma sabatina na Câmara dos Deputados para fornecer maiores explicações. A previsão é de que ele fale à Casa também nesta quarta-feira.

Entrevista exclusiva

Em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, nesta terça (14), Weintraub afirmou que sua convocação para a sabatina será uma oportunidade de mostrar a “hipocrisia e a falsidade” do debate.

“Quero agradecer ao Congresso pelo convite, é muito importante para acabar de vez a narrativa falsa criada”, disse Weintraub. “É uma oportunidade para resolver a questão e mostrar a hipocrisia e a falsidade desse debate.”

O titular do MEC ressaltou que os cortes na pasta são menores do que em outros ministérios. Para contornar esse problema, sugeriu que as universidades busquem parcerias com a iniciativa privada. “Sou contra cobrar de [alunos de] graduação, sou a favor de buscar sinergia com a iniciativa privada. Não é ficar fechado em uma torre de marfim e ficar gritando para ganhar mais 3% do PIB, não vai dar certo”, disse, lembrando que a educação já é o destino de 7% do Produto Interno Bruto.

O ministro afirmou que tem se encontrado com reitores de universidades federais nos últimos deles e que nenhum deles apresentou números que constatavam que as instituições deixariam de funcionar com o contingenciamento de recursos. “Qualquer universidade que esteja em dificuldade, venha aqui, mostre os números e as contas, e se comprovar que realmente não tem como pagar, a gente vai até o Paulo Guedes“, prometeu.

Segundo Weintraub, o contingenciamento irá atingir apenas as despesas não obrigatórias das instituições, o que representa cerca de 12% do orçamento do MEC. Por isso, ele não acredita que isso irá comprometer o funcionamento das universidades. “Quando a gente pede as contas, o pessoal fica manso”, ironizou sobre as instituições que afirmam que a suspensão da verba irá fazer com que elas fechem.