Governo de Bolsonaro não terá marqueteiro nos moldes de gestões passadas, diz ministro

  • Por Jovem Pan
  • 16/01/2019 15h00 - Atualizado em 16/01/2019 15h03
Agência BrasilGeneral acredita que marketing do governo não pode servir para expandir ideologias

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, afirmou que a presidência de Jair Bolsonaro não terá um marqueteiro nos moldes de gestões passadas e que os profissionais dessa área cuidarão especificamente do planejamento de mídia. Para ele, o marketing do governo não pode ser forma de expandir ideologias.

“Temos que tomar muito cuidado. Sou contra a divulgação de ideologia. Acho que, por filosofia, sempre foi assim em governos passados. Sou a favor da informação de qualidade pelo bem público e não pelo projeto de poder. Você deve usar tecnologia e as técnicas de comunicação para divulgar coisas válidas, não seu projeto de poder.”

De acordo com Santos Cruz, que é general da reserva do Exército, a profissão de marqueteiro assumiu “conotação negativa” e “parece uma especialidade em enganar” a sociedade. “Uma coisa que era para fazer divulgação faz um marketing para mudar a realidade. Não, você tem que transmitir a realidade para a população”, declarou.

Também ex-secretário nacional de Segurança Pública, o ministro afirmou que vai rever todos os contratos da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência. “São cerca de R$ 400 milhões em valor de contrato, embora a execução, o gasto, possa ficar abaixo”, disse. A gestão deve investir mais em redes sociais.

Ainda na área de comunicação, Santos Cruz disse que ainda não há decisão sobre o destino da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – cujo fim foi indicado em campanha por Bolsonaro. A rede de televisão e rádio conta com mais de 2 mil funcionários, a maior parte concursada. “É número gigantesco para a expressão [que tem] em termos de mídia.”

Militares no governo

Além de todos os ministros e secretários com formação militar indicados por Bolsonaro, também o porta-voz do governo atuou no Exército. O general Otávio Santana do Rêgo Barros “é uma escolha pessoal do presidente”. Ele foi chefe do Centro de Comunicação da força. Para o ministro da Secretaria de Governo, isso não é um problema.

“Não presto atenção nisso. A sociedade aceita perfeitamente bem. Quem faz essa discriminação é alguém interessado politicamente. A sociedade quer que você governe de maneira limpa, sem corrupção, e entregue o benefício no serviço público. Quem está dirigindo, para ela, não interessa. A sociedade quer um governo limpo, transparente.”

Essa transparência, garante Santos Cruz, vai permanecer na negociação de emendas com o Congresso. “A emenda é uma coisa técnica, um direito que tem o parlamentar de desfrutar daquela emenda em benefício da base dele. Não deve ser instrumento de barganha política.Naquilo que depender de mim será 100% técnico e 100% transparente.”

Ataques no Ceará

Carlos Alberto dos Santos Cruz já foi responsável pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Agora, de longe, ele acompanha a maior série de ataques de facções criminosas já registrada no Ceará – e iniciada em 2 de janeiro. “Isso é ação terrorista. É o crime organizado fazendo ações de terror contra a população”, opina.

Centenas de atentados já foram testemunhados e a Força Nacional foi convocada. “A reação tem que ser muito forte. Lei a gente tem, mas precisa aplicar de maneira séria. A sociedade toda tem responsabilidade, todos os Poderes [Executivo, Legislativo e Judiciário]. O problema é maior do que o limite do governador Camilo Santana [PT].”

*Com informações do Estadão Conteúdo