Governo de SP não vai mais permitir manifestações de grupos opostos no mesmo dia

  • Por Jovem Pan
  • 01/06/2020 13h23 - Atualizado em 02/06/2020 07h50
Estadão ConteúdoDe acordo com o governador João Doria, "todos têm o direito de se manifestar, mas não de agredir"

O governador do estado de São Paulo, João Doria, voltou a repetir nesta segunda-feira (1º) que não vai impedir que manifestações aconteçam — independentemente se forem “pró-Bolsonaro ou pró-democracia” –, porém criticou as atitudes violentas por parte de manifestantes.

De acordo com ele “todos têm o direito de se manifestar, mas não de agredir” e, portanto, a partir de agora não serão permitidos que atos de grupos opostos aconteçam no mesmo lugar, horário e dia.  “Graças à intervenção da PM evitamos uma situação de confronto que poderia ser gravíssima. A orientação é para que as manifestações aconteçam aos finais de semanas, mas jamais no mesmo dia.”

Ele destacou que a Polícia Militar do Estado de São Paulo não é a favor “nem de um lado nem de outro” e pediu união na luta contra o novo coronavírus. “Estamos assistindo um momento difícil na vida do Brasil, não foi apenas em São Paulo. Tudo o que não precisamos é de confronto, porque confronto não fortalece a democracia — só enfraquece e justifica o discurso autoritário daqueles que pretendem retomar a Ditadura.”

“A resposta de São Paulo é: ‘Não! Aqui, não!’. Por isso vamos instruir que manifestações aconteçam em dias distintos, para que não haja nenhuma razão para que qualquer movimento autoritário venha justificar conflitos de rua ou manifestações de parte a parte para apoiar projeto autoritário no país”, justificou.

“Já tivemos a pior crise de saúde do século, a mais grave crise social, a mais grave crise econômica. E, agora, a maior agressão à democracia desde 1964. Não podemos aceitar isso em um momento que precisamos todos estar unidos para combater o vírus. Não faz sentido valorizar e apoiar nenhuma medida autoritária.”

Doria cobra Bolsonaro

João Doria voltou a cobrar atitudes coerentes de Jair Bolsonaro. “Qual o sentido de um presidente da República desfilar a cavalo em meio a 30 mil mortos pela covid-19? Qual a razão disso? O que ampara um ato dessa natureza no meio de uma pandemia? Mais de 500 mil brasileiros doentes, milhares que perderam a vida. O presidente passeia a cavalo enquanto a pandemia galopa e a crise econômica segue sem rédeas.”

“Volto a fazer um apelo: Bolsonaro, assuma o seu verdadeiro e real papel como presidente. O presidente Bolsonaro não é só dos bolsonaristas, ele deve ser o presidente de todos os brasileiros”, disse o governador paulista.

“Se tiver gestos de paz, presidente, o povo saberá compreender e respeitará. A hora não é de divisão, é de união. Pela paz, pelo entendimento e pela vida de milhões de brasileiros”, finalizou.