Governo quer retomar plano de construir até oito usinas nucleares

  • Por Jovem Pan
  • 22/01/2019 19h49
Luciano Andrade/Estadão ConteúdoO Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto fica em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro

O Ministério de Minas e Energia informou nesta terça-feira (22), por meio de nota, que pretende retomar o plano de construir entre quatro e oito novas usinas nucleares no Brasil, que hoje tem apenas duas. Angra 1 e 2 respondem por 1,1% da geração nacional de energia. Sem ter obras concluídas, a usina Angra 3 elevaria essa participação para 1,2%.

“A conclusão de Angra 3 é importante, pois traz escala a toda a cadeia produtiva do setor [nuclear], da produção de combustível à geração de energia. Isso se torna mais relevante quando se leva em conta que o Brasil vai precisar investir em energia para o futuro, em função do aumento da demanda e do esgotamento do potencial hidrelétrico.”

De acordo com o governo federal, “o Plano Nacional de Energia 2030 [PNE 2030] prevê a construção de quatro a oito usinas nucleares no País. Cenário que tende a ser confirmado pelo PNE 2050, [que tem] publicação aguardada para breve.” A energia que produzida em Angra 3 vai ser a mais cara entre todas as fontes, segundo o Instituto Escolhas.

O plano de expansão de energia nuclear passou os últimos anos na gaveta, por conta dos desdobramentos de acidente ocorrido em 2011 na cidade japonesa de Fukushima. A ex-presidente Dilma Rousseff chegou a cogitar a retomada, o que não ocorreu.

Em 2011, o ministério declarou que construiria duas usinas no Nordeste e outras duas em São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro. Quatro anos depois, informou que já tinha 21 locais no País estudados para receber as plantas e que as análises estavam em andamento. Nenhuma dessas promessas se cumpriu até agora.

A lei atual não permite exploração de urânio e geração de energia nuclear por empresas privadas. Sem alteração, portanto, todos esses projetos teriam de ser viabilizados com recursos públicos, por meio da Eletronuclear, estatal da Eletrobras. Em todo o mundo, a tendência tem sido desativar usinas nucleares.

*Com informações do Estadão Conteúdo