Governo recusa recomendação para afastar 12 vice-presidentes da Caixa

  • Por Jovem Pan
  • 08/01/2018 13h50
Agência Brasil/Fabio Rodrigues PozzebomA Casa Civil e a presidência da Caixa Econômica Federal irão rejeitar a recomendação do Ministério Público Federal para afastar os 12 vice-presidentes do banco, inclusive aqueles investigados e citados em operações da Polícia Federal

A Casa Civil e a presidência da Caixa Econômica Federal irão rejeitar a recomendação do Ministério Público Federal para afastar os 12 vice-presidentes do banco, inclusive aqueles investigados e citados em operações da Polícia Federal ligados ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima – ambos são do PMDB e presos na Operação Lava Jato.

O Governo deve responder até esta segunda-feira (08), quando acaba o prazo.

Tanto a Casa Civil quanto a Caixa acertaram a decisão na última semana. A Casa Civil, em resposta, afirmou que o ministro Eliseu Padilha não possui competência para análise do pedido, já que o tema caberia ao Ministério da Fazenda. Já a Caixa deve enviar sua resposta ao MPF nesta segunda.

A resistência para a saída dos vice-presidentes possui razoes políticas. O Palácio do Planalto quer manter em sua base no Congresso os partidos que indicaram diretores do banco (PP, PR e PRB), de forma a conseguir aprovar a reforma da Previdência no dia 19 de fevereiro.

Quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa estão na mira de investigações da PF, que apura suspeita de transações irregulares com Cunha e Geddel.

De acordo com o blog da jornalista Andréia Sadi, da Globo, o presidente Michel Temer deu aval na semana passada à Casa Civil para que mantivesse os vice-presidentes que são indicados pelos partidos citados, além do PMDB.

O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou à Sadi que o Governo não afastará os 12 vice-presidentes, nem mesmo os quatro investigados, pois não há nada contra eles além de citações em delações.

Pedido do MPF

O MPF pediu, em dezembro, a substituição dos vice-presidentes por conta da “existência de diversas figuras proeminentes na administração da CEF em casos investigados e/ou alvos de investigações, bem como a perene influência política sobre funções que deveriam ser essencialmente técnicas”.

A recomendação do MPF também pede que os órgãos internos do banco e a União aprovem o novo estatuto social da empresa, que possui regras mais objetivas para a montagem do primeiro escalão, além de uma melhoria, por parte da Caixa, nas práticas de documentação de atos, gestão de informação e manutenção de dados.