Governo suspende novas vagas do Pronatec e do Fies

  • Por Estadão Conteúdo
  • 23/05/2016 10h26
Brasília - O deputado Mendonça Filho fala à imprensa na Câmara dos Deputados (Antonio Cruz/Agência Brasil)Novo ministro da Educação e Cultura Mendonça Filho já sofre cobranças

Uma das vitrines da área social da gestão petista, programas de incentivo à educação e à profissionalização como Pronatec, ProUni e Fies, não devem abrir novas vagas neste ano. São efeitos imediatos das medidas de contingenciamento previstas para o Ministério da Educação na gestão do presidente Temer. A revisão é parte do que no novo governo batizou de “herança maldita” da gestão Dilma Rousseff.

Apesar de, em alguns períodos da era petista, a pasta ser comandada por ministros de outros partidos, o MEC sempre foi controlado pelo PT. Dentre os titulares que estiveram à frente da área estão os petistas Tarso Genro, Aloizio Mercadante e o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. 

Interlocutores do novo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que ele pretende honrar até o fim as vagas que já foram contratadas, mas a perspectiva de abrir novas inscrições é apenas para o ano que vem, tendo em conta perspectivas otimistas para os últimos meses de 2016. O novo governo assumiu compromisso de dar continuidade aos programas educativos iniciados ou fortalecidos na era petista, mas considera que tem um desafio ao que afirma ser um dos legados deixados por seus antecessores: o orçamento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) já estaria zerado, mesmo ainda estando na primeira metade do ano.

A decisão de abrir ou não novas vagas e, se sim, quantas, para Pronatec, Fies e ProUni depende, exclusivamente, de um balanço financeiro que deverá ser realizado pelo ministro. Novos gestores do MEC têm afirmado que a pasta tem “musculatura” para administrar grandes projetos, mas esse potencial estaria sendo mal aproveitado. 

Um dos pilares do slogan “Pátria Educadora”, escolhido para o segundo mandato de Dilma, é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), em que o governo federal arca com o estudo de alunos de baixa renda em universidades particulares, “emprestando” dinheiro que, após a formatura, é devolvido pelos beneficiados. 

Em 2015, 2 milhões de estudantes estavam matriculados em instituições privadas graças ao programa, no qual foram investidos R$ 17,8 bilhões. 

Segundo seus interlocutores, há um ponto, contudo, que preocupa Mendonça: a taxa bancária anual que o MEC paga às instituições para a administração do programa, hoje na casa do R$ 1,3 bilhão. O novo chefe da Educação não estaria disposto a manter esse gasto para o ano que vem, tendo dito aos colegas que pretende “renegociar” o valor, com o intento de reverter parte dele para outros programas em 2017.

Bolsas

Outra crítica que os funcionários ouvem do ministro é uma suposta “desorganização e pulverização” dos sistemas de bolsas oferecidas a estudantes socialmente vulneráveis. Mendonça, de acordo com eles, gostaria de unificar os critérios de seleção para as bolsas e, no caso do Programa Universidade Para Todos (ProUni), menina dos olhos do ex-presidente Lula, intensificar o que chama de premissa da meritocracia. Ou seja: para o Mendonça, a contrapartida do estudante que recebe dinheiro público para estudar deve ser “apresentar resultados”. Hoje, o ProUni exige apenas que o bolsista tenha aproveitamento mínimo de 75% das disciplinas cursadas no semestre.

Mais Médicos

Na área da saúde, o programa Mais Médicos, lançado por Dilma Rousseff, também deverá ser cada vez mais reduzido no que toca ao contingente de não brasileiros contratados. Assim que assumiu o posto de ministro da Saúde, o deputado federal Ricardo Barros (PP) já tinha uma ideia em mente: reduzir a participação de médicos estrangeiros no Programa. De olho numa aproximação com entidades de classe, Barros avisou que deverá dar prioridade para profissionais formados no Brasil. 

As mudanças, no entanto, somente terão início a partir do próximo ano, depois das eleições municipais. Isso porque Barros não quer se indispor com prefeitos. Médicos estrangeiros, sobretudo cubanos, são campeões de aprovação dos administradores municipais. 

Há vários motivos para isso: eles estão sempre presentes, o grau de abandono dos cargos é baixo e, principalmente, não fazem sombra no campo político aos administradores locais.