Grande Rio, Vila Isabel e Tijuca brilham no segundo dia de desfiles do Carnaval do Rio

Em dia marcado por muitos problemas técnicos, Paraíso do Tuiuti, Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel, Unidos da Tijuca, Grande Rio e Unidos de Vila Isabel passaram pela Sapucaí

  • Por Jovem Pan
  • 24/04/2022 05h58 - Atualizado em 24/04/2022 06h12
THIAGO RIBEIRO/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO Carro alegórico da Grande Rio, que desfilou com Exu como enredo Carro alegórico da Grande Rio, que desfilou com Exu como enredo - Foto: THIAGO RIBEIRO/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em uma segunda noite de Carnaval no Rio de Janeiro marcada por problemas técnicos em diversas escolas, o principal destaque foi a Grande Rio. A escola de Duque de Caxias fez um desfile de alto nível e levantou a Sapucaí. A Unidos da Tijuca, que desfilou logo antes, surpreendeu com uma apresentação bastante colorida, assim como a Vila Isabel, que homenageou o nome mais famoso da escola, Martinho da Vila. Por outro lado, as três primeiras escolas, Paraíso do Tuiuti, Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel tiveram problemas e decepcionaram. Assim como no primeiro dia, muitas vezes as escolas escolheram homenagear o Carnaval e figuras de suas próprias históricas.

Primeira da noite, a Paraíso da Tuiuti exaltou as contribuições do povo negro para a humanidade ao longo da história. Embora estivesse belo e correto até a metade, o desfile planejado por Paulo Barros, carnavalesco considerado estrela, acabou prejudicado pela fantasia de uma passista ter rasgado e, principalmente, por ter estourado o tempo em dois minutos, mesmo acelerando o passo no final – o que prejudica a harmonia e evolução. A correria ainda causou outro problema: o último carro alegórico prensou uma mulher que estava em uma cadeira de rodas na dispersão, após passar mal. Ela foi socorrida e levada ao Hospital Souza Aguiar com suspeita de fratura na perna.

Paraíso do Tuiuti trouxe Panteras Negras e Wakanda para a Sapucaí

Paraíso do Tuiuti trouxe Panteras Negras e Wakanda para a Sapucaí – Foto: LUCAS NEVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Na sequência veio a Portela, maior campeã do carnaval carioca. O enredo homenageou o baobá, árvore africana importante em religiões do continente, e ligou a personagens importantes da própria escola, como Monarco, presidente de honra que morreu em 2021. A escola teve um problema em uma alegoria: uma decoração, um globo rompeu e não pode ser consertado, tendo que ir à avenida mesmo quebrado. Carros também tiveram problemas para serem manobrados e clarões se abriram na avenida. Apesar desses problemas, a arquibancada se levantou. A Mocidade Independente de Padre Miguel teve problemas parecidos. Ao cantar Oxóssi, orixá que protege a agremiação e cujo toque de atabaque originou o som característico de sua bateria, um carro que representava um elefante teve problemas e mais uma vez um buraco surgiu na avenida. Cogitada como candidata ao título, a escola decepcionou. Porém, um ponto emocionou: a escola levou para a avenida o trono no qual Elza Soares se sentava, mas o deixou vazio com a morte da cantora.

Alas da Portela na Sapucaí

Alas da Portela na Sapucaí – Foto: LUCAS NEVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Carro alegórico de elefante, que trouxe problemas para a Mocidade de Padre Miguel

Carro alegórico de elefante, que trouxe problemas para a Mocidade de Padre Miguel – Foto: LUIZ GOMES/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Unidos da Tijuca não era cotada entre as principais candidatas, mas surpreendeu ao fazer um desfile belo que cantou a lenda do guaraná e a resistência indígena. Com muitas cores, a escola trouxe beleza para a avenida, com a comissão de frente, que representa o início da lenda e o equilíbrio entre bem e mal, como ponto positivo. Porém, assim como as predecessoras, teve problemas com um dos carros e deixou um espaço vago. Logo depois a Grande Rio fez um desfile apoteótico sobre Exu, divindade africana erroneamente associada ao demônio do cristianismo. Desde a comissão de frente, que representou Exu no topo do mundo, às alegorias e fantasias, a escola de Duque de Caxias fez um espetáculo incrível e se colocou como candidata ao título.

Desfile da Unidos da Tijuca apostou bastante na varidade de cores, como este carro alegórico demonstra

Desfile da Unidos da Tijuca apostou bastante na variedade de cores, como este carro alegórico demonstra – Foto: DHAVID NORMANDO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Comissão de frente da Grande Rio trouxe Exu 'no topo do mundo'

Comissão de frente da Grande Rio trouxe Exu ‘no topo do mundo’ – Foto: DHAVID NORMANDO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Por fim, veio a Vila Isabel, que homenageou seu presidente de honra, Martinho da Vila, um dos maiores sambistas do Brasil. A escola fez um desfile correto, e o homenageado apareceu logo no início, como parte da comissão de frente, ao ser coroado por guerreiros angolanos com a pele pintada de azul; mais tarde ele voltou e passou a pé na avenida ao lado dos outros integrantes. A apresentação falou da história de Martinho, contando a infância, os sucessos e as lutas sociais, e também a personalidade do cantor, simples e boêmia. O sentimento de alegria por realizar o desfile enquanto o sambista ainda está vivo e pode participar era visível na escola, que cantou a plenos pulmões o samba-enredo. Com o término dos desfiles, despontaram como principais candidatas ao título a Grande Rio e a Viradouro, enquanto Salgueiro, Mangueira, Beija-Flor, Vila Isabel e Tijuca correm por fora na disputa.

Martinho da Vila surgiu para ser 'coroado' no começo do desfile e voltou no final a pé, ao lado dos outros integrantes

Martinho da Vila surgiu para ser ‘coroado’ no começo do desfile e voltou no final a pé, ao lado dos outros integrantes – Foto: THIAGO RIBEIRO/AGIF – AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF – AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO