Greenwald responde deputada que o desafiou a divulgar áudios: ‘Você vai se arrepender’

  • Por Jovem Pan
  • 25/06/2019 20h46 - Atualizado em 25/06/2019 20h54
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Jornalista respondeu que "os áudios seriam divulgados quando estivessem jornalisticamente prontos"

A deputada federal Carla Zambelli (PSL) discutiu com o jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept Brasil, durante audiência da comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (25).

Tudo começou quando ela o desafiou a divulgar os áudios que ele afirma ter sobre o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro. A deputada afirmou que os parlamentares do PSL presentes na sessão “não haviam falado, até o momento, que tinham medo das provas”. “Por favor, divulgue as provas, onde estão os áudios que você disse que tem?”, questionou. “Eu desafio o Glenn a tocar os áudios aqui agora, porque para falar do Moro, pedir a sua renúncia, tem a cara de pau de vir aqui pedir isso”, completou.

O jornalista, então, respondeu que “os áudios seriam divulgados quando estivessem jornalisticamente prontos”. “Os áudios são muito difíceis de reportar, mas com certeza vamos divulgar, quando estiverem jornalisticamente prontos. E você vai se arrepender muito de ter pedido isso”, respondeu ele.

Logo após a fala, a deputada deixou a audiência e ouviu provocações de parlamentares da oposição. Em publicação no Twitter, ela explicou que foi embora porque “tinha nominal”.

Sobre as divulgações

Greenwald ainda declarou que ficou “chocado” quando recebeu os documentos e leu os supostos diálogos entre Moro e os procuradores da Operação Lava Jato. De acordo com ele, nos Estados Unidos (seu país de origem), “é impensável que um juiz consiga fazer isso”.

Ele defendeu também que “as maiores revelações jornalísticas dos últimos tempos foram feitas a partir de arquivos roubados, como no escândalo do Pentágono e durante a Guerra ao Terror, quando jornalistas receberam materiais ilegais e os publicaram”. “Já mostramos isso, mas vai ter muito mais material ainda. A força-tarefa [da Lava Jato] tratou ele [Moro] como um chefe e ele se comportou não como um juiz, mas como um chefe”, afirmou.