Patinetes elétricos de aluguel terão velocidade limitada em 20km/h

  • Por Carolina Fortes
  • 24/05/2019 09h00 - Atualizado em 30/05/2019 09h59
Agência BrasilPessoas documentaram os patinetes da empresa atingindo velocidades de até 25km/h, o que vai contra uma das medidas do decreto, que institui a velocidade máxima de 20km/h

As empresas que oferecem o aluguel de patinetes elétricos em São Paulo tentam se adequar e encontrar soluções que não coloquem em risco a segurança do usuário e também não prejudiquem o serviço, desde que a Prefeitura decretou que irá multar quem andar com o veículo nas calçadas ou sem capacete.

A Grow, fusão da Yellow e da Grinn, anunciou que até o final do mês todos os patinetes terão velocidade máxima de 20km/h, independente do peso do cliente ou do local onde estiver andando. “Não adianta nem tentar pegar uma ladeira nos Jardins que não vai passar dessa velocidade”, afirmou João Sabino, diretor de relações governamentais. A Grow tem mais de 1 milhão e meio de patinetes em operação na cidade.

Em vídeos publicados na internet, pessoas documentaram os patinetes da empresa atingindo velocidades de até 25km/h, o que vai contra uma das medidas do decreto, que institui a velocidade máxima de 20km/h.

Além disso, a regulamentação também restringe o uso em ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas ou ruas com limite de velocidade de até 40 Km/h. As multas por descumprir as regras podem variar de R$ 100 a R$ 20 mil.

Capacetes

Sobre a obrigatoriedade dos capacetes, o CEO da Grow enxerga que, muito mais efetivo do que obrigar o uso do equipamento, é incentivá-lo, além de educar o usuário. “92% dos acidentes registrados na nossa plataforma ocorreram na quatro primeiras corridas. Precisamos educar as pessoas nos primeiros usos. Não é brinquedo, é um equipamento de mobilidade”, explicou Sabino.

Ele sugeriu ainda a substituição do pagamento da multa por uma possível suspensão do usuário da plataforma. “Não adianta vir sem discussão e achar que tudo vai mudar com uma regulamentação que entraria em vigor 15 dias depois. A multa além de ineficaz coloca em risco a oferta de micromobilidade na cidade de SP”, completou.

Outra empresa do ramo, a Scoo, declarou que reforça para que os instrutores nas estações de aluguel dos patinetes orientem sobre como utilizá-los da maneira adequada. Além disso, eles fornecem gratuitamente capacetes para o uso. Os veículos também são limitados a 20km/h, “o que evita que a velocidade fique ao livre arbítrio dos usuários”.

Embora seja a favor da regulamentação, a empresa acredita que é um assunto a ser discutido. “Não achamos prudente a proibição das calçadas por conta da falta de uma malha mais completa de ciclovias e ciclofaixas. No momento que se proíbe calçadas para patinetes e bikes, os usuários vão buscar o acesso e continuidade de seus trajetos pelas ruas, o que aumenta o risco de forma significativa”, disse em nota.

No entanto, as empresas reconhecem que a prioridade das calçadas é dos pedestres e defendem que a melhor solução seria a ampliação do número de ciclovias na cidade.

Decreto

A regulamentação está em discussão na Prefeitura de São Paulo desde janeiro, quando um grupo de trabalho foi criado com 11 operadoras de patinetes. As leis foram anunciadas pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) sem o aval do grupo. O detalhamento das regras, como informações sobre fiscalização, será publicado em até 90 dias.