Grupo da UE ataca governo Temer

  • Por Estadão Conteúdo
  • 31/05/2016 08h51
BRA01. BRASILIA (BRASIL), 24/05/2014.- El presidente interino de Brasil, Michel Temer, declaró hoy, martes 24 de mayo de 2016, que si está en el poder es "consecuencia de la constitución", al iniciar una reunión con sus ministros y un grupo de parlamentarios en el Palacio de Planalto (Brasilia). "Quiero refutar a quienes todo el tiempo dicen que en Brasil hubo una ruptura constitucional, porque eso no es cierto, porque yo soy producto de la Constitución", afirmó Temer. EFE/FERNANDO BIZERRA JRMichel Temer durante anúncio de medidas econômicas - EFE

Às vésperas dos primeiros encontros do chanceler José Serra com negociadores comerciais em Paris, um grupo de deputados do Parlamento Europeu pede que a UE interrompa as negociações comerciais com o Mercosul por conta do afastamento de Dilma Rousseff. Em carta enviada à Comissão Europeia, os parlamentares alertam que o bloco estará negociando com “um governo sem legitimidade”. 

“Tendo em vista a situação política no Brasil, temos dúvidas de que esse processo tenha a legitimidade democrática necessária para um acordo de tal magnitude”, aponta a carta endereçada à chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini. O documento, obtido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, insiste que o governo de Michel Temer “carece de legitimidade”.

No total, 34 políticos assinaram o documento, número relativamente baixo, já que o parlamento de Bruxelas conta com 751 representantes. A assessoria do grupo diz que vai intensificar o lobby para obter mais assinaturas e incluir o assunto na agenda oficial nas próximas semanas. 

A iniciativa foi liderada por membros de partidos como o espanhol Podemos, o italiano Movimento 5 Estrelas e por grupos como o da Esquerda Unitária Europeia, da Esquerda Nórdica Verde, do Grupo dos Verdes no Parlamento e pela Aliança Livre Europeia. “Consideramos que o governo brasileiro instalado após o impeachment carece de legitimidade democrática e, portanto, pedimos a suspensão das negociações UE-Mercosul”, pontua o texto. 

Assumindo o discurso adotado por Dilma Rousseff, os deputados europeus apontam que “o processo (no Brasil) culminou num golpe brando na forma de impeachment”. 

Podemos

Um dos principais autores da proposta foi o partido hispânico  Podemos, sensação eleitoral nos últimos pleitos de Madrid. Pelo menos cinco deputados do movimento político espanhol já aderiram à campanha. Um deles, Xabier Benito, acredita que, para o acordo seguir sendo negociado pela UE, “todos os atores implicados precisam ter máxima legitimidade democrática”. Benito é o vice-presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Mercosul

Nas redes sociais, uma das deputadas que apoiou a iniciativa, a portuguesa Marisa Matias, chamou o afastamento de Dilma de “golpe”. “Suspendam as negociações entre UE e Mercosul”, pediu a política, que lidera o Bloco de esquerda em Portugal. De acordo com Matias, o bloco econômico precisa dar “pleno apoio para o restabelecimento da ordem democrática no Brasil” agindo “em conformidade com os valores fundamentais”. “Um acordo comercial não pode ser negociado com um governo sem legalidade democrática como é o governo atualmente em funções no Brasil.”

O grupo diz que aguarda uma resposta de Mogherini e já pensa em colocar na agenda de Bruxelas a crise política no Brasil, da mesma forma que a Venezuela faz parte das preocupações da entidade.

Serra terá um encontro, ainda nesta semana, com a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom, num sinal claro que a União Européia considera o chanceler um interlocutor legítimo. Após o afastamento de Dilma, o escritório europeu indicou que o Brasil “é e continuará sendo um parceiro estratégico” para a Europa.

O bloco decidiu seguir adiante com a troca de ofertas com o Mercosul mesmo com a crise política no Brasil.