Guedes diz que Dilma o sondou para ser ministro; ex-presidente nega

  • Por Jovem Pan
  • 04/06/2019 20h16 - Atualizado em 04/06/2019 20h18
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilDe acordo com Dilma, Guedes está mentindo: "Deve ser mania de grandeza dele".

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, em sessão nesta terça-feira (4) na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, que foi sondado para ser ministro da Fazenda no governo Dilma em 2015, após a saída de Joaquim Levy. Ele contou que encontrou a presidente em um jantar no Palácio da Alvorada e teria sugerido a ela que o governo reformasse o sistema de aposentadorias.

“Eu conversei sobre isso [reformas] com a presidente Dilma, quando ela me sondou para o lugar do Levy. Disse: ‘presidente, a senhora tem de fazer uma reforma já. Se a senhora não fizer, o desemprego vai subir e a inflação, aumentar”, disse.

O ministro declarou que, naquele momento, não imaginava que Dilma Roussef passaria por um processo de impeachment, mas que esperava que o seu governo terminasse com inflação superior a 20% e 30 milhões de desempregados.

Ex-presidente nega

O líder do PT, Paulo Pimenta, negou a declaração, segundo o site O Antagonista. De acordo com ele, na época, Dilma conversou com vários economistas, incluindo Guedes, mas nunca o sondou para ser ministro.

“Ela disse que não o convidou para nada. Na época, ela conversou com vários economistas, com Joaquim Levy, Luiz Gonzaga Beluzzo, Luiz Carlos Trabuco e com ele. Foi o Jaques Wagner quem intermediou essas conversas. Mas ela nunca sondou o Guedes para ser ministro. Disse que isso deve ser mania de grandeza dele, imaginando que uma conversa seria um convite”, afirmou após conversar com a ex-presidente pelo telefone.

Segundo a assessoria de imprensa de Dilma, o ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto, levou Guedes a um encontro com ela “para conversar sobre a conjuntura econômica” do país. “Apesar disso, não houve um convite. Paulo Guedes está mentindo”.

O ministro teria feito a mesma afirmação no ano passado, durante a campanha eleitoral.